O baptismo nas águas da Grande-Mãe-Vida

Houve tempos, entre os tempos, em que nada parecia mais ter sentido, Quando as águas desconhecidas, frias e escuras do meu medo me prenderam Como correntes atadas nos pés dos prisioneiros das mais fundas e infernais minas.

No momento em que o coração explodia de dor e o desespero da solidão humana, tão conhecida no meu peito,

Uma voz gritava inaudível e feroz: não há salvação….não há esperança….       E só aí, no mais profundo do abismo, descobri que eu não era o meu medo, eu era talvez, o SER onde tudo ocorria, o Amor que me sonhava, o desconhecido para além das últimas fronteiras. Para quê tanto equivoco, ilusão e busca, se o momento mais intimo, mais redentor, mais definitivo e sagrado, é impossível de negociar, conquistar ou partilhar?

Nessa aterradora transição de limiar, abandonei–me finalmente ao oceano.

Já não era gota, já não era NADA. Não sei quanto tempo passou; não sei se foram anjos ou sereias, não sei se foi brisa ou pó de estrelas, mas num ponto do tempo, algo nasceu em mim.

 

Foi só depois de tudo perder, desde o norte da vida, aos sonhos da Alma, que Ela se me revelou. No mais inesperado momento, suspenso entre a vida e a morte, um acontecimento, uma revelação, uma luz, ainda sem chama, mas como onda interna, como uma madrugada a raiar no lugar do sentir.

Um sopro novo que abre as asas como se nascessem para o seu primeiro voo. Do útero da grande Mãe, renasci. No meu olhar, um sorriso pacífico.    No meu coração, o bater síncrono de todos os corações viventes.                Na minha Alma, o cântico de Amor da eternidade.

No meu corpo, o segredo do casamento entre céu e terra, feito carne e sangue e ossos. Não tinha estatura, mas estava inteira; não tinha desejos, mas era una. Tinha a forma da alma e o cheiro da rosa. Era-me em Mim.

Senti que tinha sido iniciada, baptizada no útero da grande Mãe do Oceano onde as aguas cancerianas nos devolvem à costa nas inúmeras vivencias que temos dentro e fora da existência. Cada final, cada adeus, cada partida, cada desapego, são mergulhos nas águas cancerianas da Vida Mãe.

Em cada um desses baptismos somos convidados a vir de novo à superfície, por um caminho totalmente novo. Totalmente novo, que faz novas todas as coisas na nossa vida. Essa rendição é a alquimia do Caranguejo. E nessa viagem, contaram-me as sereias – arquétipos da Deusa Virgem e da Deusa dos Oceanos, Mãe da Vida – que eu me tornara… contadora de Historias da Alma! Sorri à Lua Nova de Caranguejo, pelas bênçãos e pela nutrição profunda que recebera. E senti no meu corpo-alma a vontade de a partilhar com os meus irmãos: que se preparassem para o seu próprio baptismo nesta próxima lua Nova de Caranguejo! 

E a grande Mãe-Deusa dos Oceanos da Vida disse: Torna-te em quem esperaste todo este tempo! 

Com Amor,

Vera Teresa

Lua Nova Caranguejo 2012

MENSAGEM ASTROLOGICA DESTA LUA NOVA, dia 19 julho

Caranguejo é o signo do Útero Cósmico, da Mãe Universal, das Águas da Vida, lugar de gestação e de crescimento interno. As sementes que Câncer gera, são da criatividade inerente a todas as facetas da vida: biológica, artística, imaginativa, mística. Caranguejo é a nossa matrix criativa, e contém o poder da criação e da destruição, da vida e da morte e da vida, no seu eterno ciclo.  

O seu poder conecta-se com a lua, a que dá a forma às sementes da Vida; Ela representa o inconsciente, a memoria, o sentir, as emoções, intuições, a necessidade de nutrir, o caldeirão mágico do Inconsciente Colectivo. A Luz da Lua cresce e mingua, espelhando a consciência lunar do espírito Feminino, do seu mistério e potencial. 

Caranguejo simboliza o amor da mãe “boa”, o vínculo amoroso fundamental da criança e da mãe, que apoia o desenvolvimento daquela. Mas como a lua muda e se torna escura, também a mãe precisa saber deixar ir no momento certo, para que @ filh@ amadureça; caso contrario a criança ficará investida do complexo maternal negativo: o da mãe devoradora, castradora, manipuladora, que nunca está satisfeita. No próximo não lectivo trabalharemos bastante este complexo negativo da mãe (e do pai) no Curso da FEMINITUDE CONSCIENTE. A Lua ensina-nos pois, os ritmos do nutrir e do desapego; do fluxo e do refluxo. As águas do nosso corpo também dançam ao ritmo da Lua!

  Cada Lua Nova inicia um novo ciclo de energia de 28 dias, Em cada ano, a lua Nova de Caranguejo é uma oportunidade de renovarmos emoções, memórias, corpo e alma. E como a Lua rege Caranguejo, esta Lunação torna-se duplamente importante! Triplamente, pois estamos em Litha, o tempo das águas, de redescobrir os nossos valores yin-sentimento, por oposição aos valores yang solares da força de vontade, acção, coragem, etc.

Nesta Lua Nova, compreende mais profundamente as tuas motivações inconscientes, para poderes desbloquear imensa energia criativa, para poderes trabalhar conscientemente com as tuas emoções e instintos, para deixar ir velhos comportamentos sabotadores, para inundares de águas vivas o poço seco da tua Alma (se estiveres pres@ das mesmas rotinas, emoções, situações). Trata do teu corpo emocional (complexo positivo da mãe) ou não conseguirás facilmente activar nova energia nesta fase (complexo negativo de mãe). Nesta Lua Nova, assume, reconhece, incorpora e aprende a trabalhar com as tuas emoções, como Caranguejo propõe. Aprende a saber discriminar quando dar apoio e nutrir e quando retirar-te de cena. Quando temos a “mãe positiva” integrada, gostamos de nós, sabemos cuidar de nós mesmos e nutrimos os nossos valores. Não nos comparamos a estereótipos culturais (desta sociedade patriarcal caducada) e não valorizamos mais as opiniões alheias, do que o nosso próprio discernimento. Caranguejo insta-nos a que acreditemos em nós, nos amemos mais e melhor, que nutramos o nosso corpo alma curando e integrando o nosso corpo emocional, para que uma nova ordem possa estabelecer-se na terra, para o bem maior de todos. Os nossos bens materiais são bons, mas de nada servirão se vivermos desalmados, solitários, depressivos e assustados.

Esta lunação é desafiada por uma quadratura de Saturno: precisamos tomar em consideração os outros quando decidirmos o que realmente precisamos e valorizamos. Que relações o nutrem e quais não? Medite, passe tempo consigo mesmo. Aprenda a ser boa mãe ou bom pai de si mesmo, pois é dessa forma que aprendemos a saber o que realmente precisamos, e depois a saber ser mães e pais. Ás mulheres aconselho a fazerem a meditação e o ritual de Lua Nova que passo nas minhas aulas; aos homens, aconselho também a trabalharem os eu complexo negativo de pai, a curarem as suas feridas com os pais. Quando compreendemos as nossas próprias necessidades emocionais, podemos sintonizar-nos com as dos outros sem projectarmos para eles as nossas carências. Isto é que TODOS estamos destinados a aprender a fazer, demore o tempo que demorar, para construirmos relações humanas correctas, conscientes, plenamente amorosas.

 

Nesta Lunação, presta atenção ao que te rodeia e decide de acordo com a plena consciência dos teus valores, sentimentos, aprendendo a escutar o que a sábia intuição do teu corpo-alma te revela, sobre a tua Verdade.

Tem um grande Verão (ou Inverno se estiveres no hemisfério sul!)

Com Amor,

Vera Teresa

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