Método Louise Hay – O AMOR CURA
Editado na revista ZEN, 2009.Todos os direitos reservados.
por Drª.Vera Faria Leal
Nos anos oitenta uma escritora norte americana e ministra da Ciência da Mente – Louise L. Hay – começou a ter um sucesso crescente com as suas consultas individuais, palestras e aulas baseadas no poder do pensamento positivo. Incansável pesquisadora do espírito humano conheceu e investigou, desde Psicologia ao Esoterismo, da Gestalt às terapias dos movimentos do Potencial Humano dos anos setenta, do Curso em Milagres aos ensinamentos espirituais da Sabedoria Arcana.
Os seus livros, best sellers mundiais, a sua fundação para doentes de Sida e a sua obra como um todo, conquistavam cada vez maior notoriedade, a atraíam um publico cada vez mais numeroso. Em meados dos anos oitenta, desenhou aquilo a que chamamos em Portugal, o Método Louise Hay: Uma oficina com dois formatos: um fim de semana ou dez sessões semanais de duas horas cada: “Pode curar a Sua Vida”. Actualmente em Portugal existem vários facilitadores que estenderam o prazo do Método (alguns cursos vão até aos nove meses) dada a riqueza dos temas e das vivências que ele propõe. O Método tem uma estrutura e uma identidade próprias mas também a necessária flexibilidade para que cada facilitador lhe possa agregar a sua mais valia, conhecimento e prática individuais.
Este método integra alguns dos princípios espirituais fundamentais da Ciência da mente e várias técnicas e exercícios que promovem a libertação de culpas, medos, raivas, e o alcançar de patamares sucessivos de crescente bem estar, desbloqueio da criatividade e paz interna. Com o crescente êxito mundial do seu trabalho, Louise começa a formar coordenadores do Método no seu país e dentro do seu grupo de colaboradores, destaca-se a Drª. Patricia Crane a quem convidou para ser a formadora de formadores em língua inglesa. Foi Patricia Crane que me convidou em 2004 para fazer a formação de formadores em Portugal.
Louse Hay, hoje com oitenta e dois anos, é considerada a rainha do desenvolvimento pessoal no mundo. Tive o privilégio de a conhecer em Abril de 2008 em Londres. A sua presença irradia leveza e gentileza e uma grande paz, a paz de quem encontrou o seu lugar na Vida. Diz que os oitenta anos estão a ser a década mais divertida da sua vida! Ela foi e é uma enorme inspiração na minha vida e na vida de milhões de pessoas no mundo, pelo testemunho vivo de que o Amor, como Lei Universal, como cimento unificador das diversas dimensões em que temos manifestação, é o factor de cura física, psíquica, emocional mais poderoso que existe.
Vítima na infância de abusos sexuais do padrasto, vivendo uma adolescência perdida de si mesma, ultrapassando relações disfuncionais sucessivas, vencendo um cancro, aplicou no seu ser e na sua realidade, os princípios espirituais que aprendeu, sendo um exemplo poderoso de que somos capazes de co-criar com a Vida, existências de saúde, prosperidade, harmonia e paz interna.
Tenho a imensa benção de trabalhar com este Método desde 1999 e com milhares de pessoas desde então. O mais gratificante é ser testemunha da sua transformação, de crisálida a borboleta. Este Método integra um conjunto muito poderoso de técnicas que apoiam o participante no seu processo de evolução integral, pois acreditamos que o progresso interno se manifesta em todas as áreas da vida. Procuramos nas vivências do nosso nascimento, ancestralidade, infância, os padrões que criámos para a nossa vida adulta. Com a consciência, vem a responsabilidade da mudança porque a nossa vida é uma oportunidade contínua e dinâmica de auto-actualização. Quanto mais compreendemos o principio fundamental que somos co-criadores da nossa realidade – um poderoso ensinamento que tem pouco mais de cinquenta anos no consciente colectivo humano – mais ousadia e liberdade ganhamos na construção de vidas de harmonia, de conquista, de partilha, de liberdade interior, de prosperidade integral.
No Método trabalhamos, pois, de forma integral: corpo, mente, emoções e espiritualidade, porque o equilíbrio destes vários aspectos é fundamental para o estabelecimento de uma vida na qual o Amor Maior é o solo nutridor que alimenta a nossa paz interna. Só a partir de uma pacificação básica interna, podemos ousar viver a melhor versão de quem somos, trazendo a manifestação do nosso potencial para o palco da nossa vida. Só com raízes sólidas nos poderemos realizar. Com os pés bem assentes na terra da harmonia connosco mesmos e na aceitação do privilégio de sermos agentes da Vida, podemos elevar a cabeça ao céu, sonhando para nós vidas com mais sentido, encontro, re-criando-nos de acordo com a melhor visão que formos capazes de sustentar nas nossas mentes e nos nossos corações.
O poder transformador deste Método deve-se, em minha opinião, ao ambiente de profunda aceitação mútua e de amorosa receptividade que o trabalho vai criando no seio dos grupos. Aceites por quem são, as pessoas vão deixando cair resistências e defesas, já desnecessárias, e a alquimia do ser acontece no mais profundo de nós. O que essa alquimia – transformação profunda – significa, é único para cada pessoa, tal como o seu destino. Mas ela conduz-nos ao caminho de volta à pessoa que nascemos-para-vir-a-ser.
Actualmente, formei desde 2004 mais de setenta Hay Teachers (é assim que são conhecidos os facilitadores do Método). Pessoas maravilhosas que experimentaram este trabalho e que, encantados com os resultados, identificados com a filosofia, e motivados pelo desejo de apoiar outros no mesmo processo, quiseram tornar-se eles próprios, agentes mais activos da tão necessária mudança de consciências.
O Método LH trabalha: Auto-estima, Criança Interior, raiva, culpa, medos, criticismo, os padrões familiares, resistência à mudança, as Leis universais (como a Lei da atracção); aprender a pensar e a co-criar a nossa realidade pessoal. Utilizam-se várias técnicas, entre as quais - afirmações, meditações, técnicas de respiração, expressão corporal, dramatização da dinâmica familiar, exercício com o espelho, trabalho com as emoções da criança interna.
Apresento-vos um resumo da minha interpretação dos aspectos principais da “filosofia Louise Hay”:
O que nós damos recebemos de volta.
Seja sob a forma de pensamentos, intenções ou actos, o que nós emitimos para o mundo ser-nos-á devolvido algures num momento do tempo-espaço. Este princípio é espiritual e constante de diversas tradições: Lei do carma, princípio de causa e efeito; ama os outros como a ti mesmo. Quando meditamos no alcance desta Lei, começamos gradualmente a aprender a agir, em vez de reagir. Quando reagimos, fazemo-lo a partir da sombra em nós (de aspectos inconscientes); somos repetitivos e não acrescentamos nem mudamos nada à situação. Quando agimos, fazemo-lo a partir da Luz em nós (auto-consciência, consciência expandida) e somos criativos, por isso criamos um destino novo no mesmo instante em que o fazemos.
Por exemplo, eu posso reagir sempre negativamente a um filho que não age de acordo com os meus valores, ou posso agir quebrando o circulo vicioso da vítima/carrasco, mudando um padrão destrutivo nos meus relacionamentos. Quando ajo valorizando sempre o muito ou o pouco que cada relação tem para me oferecer, eu estou a agir. Quando reajo sistematicamente com isolamento, sentimento de vitimização, medo, fuga, controlo ou manipulação, estou tão somente a atrair mais do mesmo.
Aquilo em que acreditamos sobre nós e sobre a Vida torna-se realidade para nós.
As nossas crenças moldam a nossa realidade. Se a um nível consciente e/ou inconsciente acreditamos que merecemos oportunidades profissionais, se acreditamos que as relações são positivas e nos ajudam a evoluir, comportar-nos-emos como tal e as circunstâncias exteriores responderão na mesma medida. Comportamento gera comportamento e como alguns psicólogos têm investigado sob a designação de “efeito pigmalião” ou profecia auto realizável, tendemos a atrair o que tem relação directa com as nossas expectativas.
Os nossos pensamentos são criativos
A Mente consciente corresponde de uma forma muito simplificada, à parte de si que define a sua identidade, que expressa directamente o que se designa por livre arbítrio. A mente subconsciente – aquela parte de que não tem naturalmente, consciência – contém um imenso armazém de informação, alguma de carácter genético, mas, sobretudo acumulada desde a génese da sua formação (estes registos contêm o património ancestral da humanidade). Esta informação é como se fosse a sua verdade pessoal, aquilo que, a um nível mais profundo acredita que são: o merecimento, os relacionamentos, as oportunidades, a vida. Todo este depósito de informações adquiridas através do nosso processo natural de desenvolvimento e aprendizagem se transforma numa programação inconsciente poderosa. Assim, quando algo acontece “lá fora”, a mente inconsciente activa por reflexo um comportamento que já estava previamente armazenado na nossa base de dados, sem precisarmos sequer de pensar sobre o assunto. É como se entrássemos em piloto automático, sem o controlo da nossa mente consciente. O cientista biólogo Dr. Bruce Lipton, afirma que cerca de 95% do nosso comportamento está sob o controlo da nossa mente inconsciente; é como se ela estivesse ao volante da nossa vida. Por isso, nós inconscientemente comportamo-nos muitas vezes de forma a atrair experiências negativas e nem sabemos porquê. Se quiser mudar algo na sua vida que não funciona, tem que mudar a sua programação interna, os registos do seu software subconsciente. A sua vida tem a mesma qualidade dos seus pensamentos. Mudar os pensamentos é um exercício de amor por si mesmo, pois implica transformar hábitos antigos com constância, dedicação e simultaneamente, desapego. Não se trabalha a nível espiritual para se verem resultados imediatos, como se fossemos à sexta feira jogar no euromilhões. O caminho espiritual é uma viagem cujos resultados são imediatos sim, mas muitas vezes de uma forma tão subtil para as mentes pouco treinadas na percepção dos detalhes, dos sinais e das interacções energéticas que, muitos desistem tristemente antes de poderem colher os frutos maiores de um caminho tão extraordinário.
Há um axioma da Sabedoria Arcana que diz: “A energia segue o pensamento”. Assim como pensamentos, assim se vai precipitando a energia no mundo da manifestação. Ser mestres do nosso destino começa por sermos mestres dos nossos próprios pensamentos, pois o nosso diálogo interno espelha-se nos diálogos que temos com a Vida. Não podemos dar mais do que temos; não podemos receber mais do que somos. Se queremos receber mais da vida, precisamos Ser mais: se quero mais paz, tenho que fazer mais paz dentro de mim mesmo, se quero mais prosperidade, tenho que me tornar mais receptivo para poder receber mais da vida; se quero mais Amor, tenho que trabalhar o meu merecimento por forma a sentir-me mais merecedor de receber amor.
A Auto-aprovação e a Auto-aceitação são as chaves das mudanças positivas
Porque o momento de poder é sempre o instante presente, é no agora que precisamos aceitar e fazer as pazes com a vida, aprendendo a aceitar o que temos, para podemos co-criar no futuro, circunstancias diferentes. O lutarmos sistematicamente contra nós mesmos pela não aceitação do nosso corpo, casamento, profissão, família, etc, eterniza o conflito porque aquilo a que resistimos tende a persistir, até deixar-mos de o alimentar com a nossa energia (resistência). Rendermo-nos ao aqui e agora, aprendermos a viver no presente e cada vez menos no ressentimento do passado ou no medo do futuro, é como a paciência infinita: produz resultados imediatos. Para mudar, primeiro precismaos aceitar o que temos; depois unir a nossa energia alinhando gradualmente pensamentos, intenções, palavras e acções num mesmo foco e direcção. Consolidando a fé e o treino na capacidade de co-criar a nossa realidade e assistindo na prática, ao resultado que a Lei da atracção – “O semelhante atrai o semelhante” vai produzindo na nossa vida. Este é o caminho do verdadeiro poder: o poder interior de que todos os Mestres são exemplo.
Podemos libertar o passado e perdoar a toda a gente. O Perdão abre o caminho ao Amor. O Amor é a força de cura mais poderosa que existe. É imprescindível amarmo-nos!
O universo está programado para o perdão. O perdão é um processo, um caminho de ascensão na consciência.
Quem não perdoa, não se perdoa também e está a infligir-se uma dor, a pagar um preço alto. Há um momento em que tem que se perguntar: quero ter razão ou ser feliz?
Quando compreendemos que cada um faz o melhor que pode com o nível de conhecimento e de consciência que tem, começamos a perceber que não há acasos no universo, a compreender como o que nos acontece encaixa como um puzzle, numa necessidade nossa (consciente ou inconsciente) e que, duma circunstância difícil nasce sempre uma benção oculta. Quando essa benção cresce, damos por nós a dizer: se aquele desafio não tivesse ocorrido, hoje eu não teria desfrutado desta nova situação. Nesse patamar, começamos gradualmente a ascender ao próximo: afinal, já nem se justifica perdoar porque, conhecidos os bons frutos que nasceram de uma circunstância dura, descubro e sinto que afinal, nunca houve agravo.
Basta querer (e crer, acreditar). Querer (crendo) é poder!
Quando queremos e acreditamos, colocamos em alinhamento diversas valências em nós que mobilizam a nossa energia vital, reajustam as nossas prioridade com uma nova clareza e produzem novos e extraordinários resultados.
A força de vontade é o agregado de poderes internos como tolerância, discernimento, julgamento, concentração e cooperação. A vontade de uma pessoa com um bom reservatório de poderes internos sempre prevalecerá. Consequentemente, "Onde há vontade, há um caminho". Uma enérgica força de vontade não somente o protege das influências adversas, mas também fortalece a sua influência no ambiente externo, da mesma maneira que sementes de rosas produzem rosas perfumadas mesmo num monte de lixo.
Brijmohan
Brindo à manifestação da Sua Melhor vida! Drª. Vera Faria Leal - site: www.verafarialeal.com.pt