quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

PLUTÃO EM CAPRICÓRNIO


PLUTÃO EM CAPRICÓRNIO: O 5º PODER, O DA CONSCIÊNCIA COLECTIVA
 
Editado na revista ZEN, 2009.Todos os direitos reservados.
 
por Drª.Vera Faria Leal
 
 
Vivemos uma crise civilizacional há muito anunciada pela Astrologia Mundial que estuda a evolução das sociedades humanas a partir dos ciclos dos planetas lentos – Urano, Neptuno e Plutão – e também dos planetas sociais Saturno (formas, limites, estruturas, necessidade de firmar, focar e definir em áreas delimitadas; disciplina, restrição, experiência, dever) e Júpiter (representa as leis, a justiça, as universidades, religiões, filosofia, ética). A interpretação daqueles ciclos e da sua mútua intersecção permite antever um sentido profundo para as movimentações daquelas sociedades e aferem um padrão de regularidade dentro do caos/aleatoriedade aparente das circunstâncias. A Astrologia mundial revela a proposta oferecida à consciência da humanidade em cada geração e era, clarificando os desafios a superar, indicando as áreas sobre as quais incide o maior foco de transformação e fornece-nos um inestimável guião planetário que aponta o norte do futuro, como uma bússola orientadora da evolução das consciências e, por inerência, dos destinos que formos capazes de co-criar para nós mesmos. 
 
 
Os três planetas transpessoais: Urano, Neptuno e Plutão
Urano é um planeta associado às inovações tecnológicas, às revoluções, às mudanças dramáticas e à aceleração de condições que provocam rupturas no status quo; instiga mudanças e evolução à escala social.
Neptuno representa o impulso de nos dissolvermos enquanto egos isolados e de transcendermos as fronteiras do individual, rumo a uma consciência ampliada e plasmada no Todo. O princípio da Unidade - o budismo diz: “Tudo em um e Um em tudo”; 
Plutão simboliza os processos de transmutação da matéria e transformação da consciência em dimensões mais vastas e profundas. Está associado ao poder de gerar, regenerar (ou degenerar) ao inconsciente colectivo, à energia atómica e às grandes revoluções da vida humana, em todos os níveis. Em Astrologia mundial, está associado aos governos autoritários, ao poder secreto, aos movimentos de massas, às multinacionais.
Plutão simboliza alta concentração de poder e faz emergir no plano psicológico tudo o que estava latente, potencialmente activo sob a superfície, que ele faz irromper à luz da consciência mostrando tudo o que deve ser regenerado e purificado através de um processo eliminador, que acelera a evolução, rompendo com o passado e dando espaço ao novo. Falamos de corrupção e de abuso de poder nos níveis económico, político, governamental, institucional. A sua proposta é a de reconstruir, depois de destruir e de rejeitar o que já não serve os propósitos da nova consciência emergente.
 
 
 
Os três signos do colectivo: Capricórnio, Aquário e Peixes
Capricórnio reporta-se às estruturas sociais e representa o estado, a autoridade, poder político, económico, social, a ambição e responsabilidade sociais; representa a carreira, o status, a concretização, as hierarquias. Plutão transitará Capricórnio até 2024.
Peixes representa diluição das fronteiras, impulso universalista, espiritualidade, compaixão, colectivismo. Urano atravessa a constelação de Peixes até 2011. Urano em Peixes representa um chamamento colectivo de “revolução interior” onde a semente de um novo futuro e a “verdade que liberta” se encontram, muito claramente, na nossa adesão a ideais universalistas, a princípios unificadores, não sectários, ao assumir o caminho que melhor serve o colectivo. Com Urano em Peixes já não basta saber ou entender os conceitos de unidade: temos que os sentir, que os vivenciar a partir de dentro. Urano em Peixes revela a quinta-essência da felicidade: que ela se baseia na paz interior que formos capazes de encontrar e nutrir, apesar das perdas, do medo, da inconsciência e da ignorância. Urano em Peixes revela a morada ultima desse estado interno de pacificação, única fonte do verdadeiro poder, aquele que nos orienta para que nos sintamos alinhados com a Vida, coerentes com o nosso projecto e propósito únicos em pacificada e criativa aceitação da Ordem Maior oculta subjacente a tudo o que sucede.
 
Aquário representa os ideais e ideologias, a visão profética, as mentes afins que se reúnem irmanadas dos mesmos propósitos para serem mais eficazes no seio da sociedade. Representa o chamamento do futuro sob a forma de inovação, renovação, actualização de paradigmas, liberdade de pensamento e acção, derrube das barreiras de intolerância intelectual, consciência da igualdade intrínseca na condição humana e a consequente solidariedade social. Neptuno atravessa o Aquário até 2012.
 
A crise civilizacional
A Comunicação Social autodenominou-se, na era da aldeia global, o 4º poder, mas há um 5º poder que está a ser chamado a assumir-se: o da consciência colectiva. Estamos na era do desencanto com o poder, denunciado agora por Plutão em Capricórnio: a seriedade, rigor ou eficácia das instituições, sejam governamentais, económicas ou sociais, estão gradualmente a ser postas em causa em diversos graus.
 
A tensão e a crise desempenham um papel fundamental no processo de transformação do velho para o novo paradigma; são pontos críticos a partir dos quais é um conflito ou problema latentes se deslocam para o centro da consciência: impossível já negá-lo ou fazer fuga para a frente. Por isto a crise é sempre dinâmica, e requer novas decisões; ela não veio por um ou dois anos: veio o tempo necessário para que se enraíze na consciência colectiva, o impulso da renovação das sociedades humanas, agora que existe massa critica necessária para que a acção de todas as pessoas, grupos e estados, empenhados na busca de novas soluções para este beco sem saída a que chegamos, possam semear sociedades mais equilibradas e justas (se essa for a nossa escolha, pois os astros põem mas o Homem dispõe).
 
 Não é possível “atacar” só os efeitos da crise, mas tem que se reflectir sobre as causas: a fragilidade de todo o sistema e dos paradigmas sobre os quais tem assentado o modelo económico ocidental. Num sistema que permite um elevado nível de especulação financeira (nas bolsas e mercados de capitais) sem que esses movimentos tenham qualquer reflexo positivo no tecido produtivo das nações, as desigualdades de oportunidades, o florescer da corrupção e dos abusos de poder fomentados pela ganância, tornam-se correntes. Numa sociedade cujo deus é o dinheiro, o “paraíso” do consumismo acaba, mais tarde ou mais cedo, por devorar as energias vitais de quem se endivida muito para além do razoável, de quem se anula e danifica perigosamente o equilíbrio pessoal, conjugal e familiar, para Ter mais. Com a ditadura da forma sob a bandeira do “tenha tudo o que desejar” – corpos perfeitos, carros perfeitos, casas perfeitas, vidas perfeitas – perdemos importantes referencias promotoras da sanidade mental. Na sociedade “da abundância” aumentam os sociopatas, a solidão, o mercenarismo. Quando isto ocorre numa sociedade, o talento definha, a paixão negada azeda e torna-se ressentimento contra os que parecem mais realizados; a fama e/ou o dinheiro a qualquer preço parecem tornar-se as drogas socialmente aceites e politicamente correctas, para empanturrar o vazio interior. Vazio de amor, vazio de comunhão, vazio de partilha, vazio de sentido, vazio porque sabemos bem, que estamos muito aquém do nosso potencial. Enclausurados entre o trabalhar cada vez mais horas, as pastilhas para dormir que mantém as consciências anestesiadas, a passividade frente à manipulação televisiva, o culto do individualismo, da competição feroz e da gratificação imediata dos sentidos, movemo-nos no epicentro de uma era obscurantista que parece ter perdido o norte: o principio fundamental da sacralidade da vida humana.
 
 
Plutão em Escorpião e em Sagitário: o que conseguimos no passado recente?
 
No sec. XX entre Dezembro de 1983 e 11 Novembro de 1995, quando Plutão esteve no signo de Escorpião, do meu ponto de vista este obscurantismo atingiu um pico, no sentido do exacerbar do poder psíquico – manifesto sob qualquer tipo de poder, seja económico, político ou outro. Plutão em Escorpião propunha-nos a denúncia do abuso de poder sob quaisquer disfarces levando ao limite o equivoco da prepotência, da ganância (ascensão e queda dos yuppies). Gorbachev, ao desencadear a transformação irreversível na geopolítica mundial, encarnou uma das facetas mais positivas de Plutão em Escorpião. Escorpião é o signo que rege a sexualidade: nessa fase, a epidemia da SIDA veio à “superfície” com a consequente necessidade de reavaliação dos comportamentos sexuais.  
 
Para muitos astrólogos, a presença de Plutão no signo da sua regência, Escorpião, foi vista como um período potencial de grandes e promissoras transformações – pela eliminação de antigos paradigmas, pela renovação da balança do poder no mundo, pelas novas atitudes perante os recursos humanos e os do planeta. Poderíamos estar prontos para adentrar a Era de Aquário. Infelizmente, passados pouco mais de vinte anos, o mundo ainda não se tornou mais pacífico, mais solidário e fraterno.
Na passagem seguinte de Plutão para Sagitário – entre Novembro de 1995 e Novembro 2008 – continuaram a ser trazidas à superfície as tendências mais inferiores do signo transitado: Sagitário rege as leis e as religiões organizadas, o desporto, as escolas, o comercio e as viagens internacionais. Foram revelados os escândalos de pedofilia na Igreja (sobretudo nos EUA), Escolas (casa Pia em Portugal), o fanatismo religioso originou ataques terroristas sem precedentes, como o 11 Setembro em Nova Iorque ou em Madrid em 11 Março 2004. Não conseguimos impedir a aceleração da degradação ambiental com os efeitos esperados nas alterações climáticas (o meio ambiente está ligado a Gémeos, signo oposto e complementar de Sagitário). Por outro lado, foram notáveis avanços por exemplo, na biotecnologia, nalgumas disciplinas cientificas, na disseminação da informação (internet) no comercio internacional (também com o forte impulso da China). As igrejas e religiões fazem uso de novas ferramentas de marketing. Tudo áreas ligadas a Sagitário (ou Gémeos, sua polaridade).
 
A Astróloga Tereza Kawall escreveu (profeticamente) quando Plutão começava a transitar Escorpião):
        “Este período de transformação acarreta uma profunda crise na civilização actual; pode-se dizer que Plutão, como um mensageiro dos novos tempos, marca agora um fim de ciclo - a despedida da Era de Peixes para a entrada do novo ciclo aquariano. Em outras palavras, a humanidade está a ser avisada de que é tempo de aprender a partilhar os recursos do planeta de forma mais construtiva. Acredita-se que a força plutoniana actuará de forma marcante nos acontecimentos políticos e económicos, trazendo uma urgente necessidade de reorganização no sistema político-financeiro mundial, e de reavaliação da actuação das grandes potências, que não mais poderão exercer o seu poder de forma tão indiscriminada para com os países em desenvolvimento. Todos serão levados a repensar a utilização dos recursos da tecnologia para evitar uma possível destruição que seria fatal ao planeta. O homem de hoje sente-se desamparado pela vida que ele mesmo criou; mas o homem do futuro terá que descobrir e utilizar recursos não-palpáveis e não-materiais, dentro de um contexto muito mais intrínseco e complexo, para efectivar o seu aperfeiçoamento pessoal.”
A sua mensagem continua tão actual como há vinte anos.
 
Breve análise astrológica da conjuntura actual
 Em Astrologia mundial, o estudo dos ciclos dos planetas lentos ao longo da história possibilita-nos prever as grandes linhas orientadoras das sucessivas civilizações. Assim, torna-se pertinente aflorar a época que, mais recentemente ficou marcada pelos mesmos aspectos planetários que a presente conjuntura, com especial incidência no ano de 2010.
Vemos pelo quadro abaixo, uma repetição impressionante de configurações tensas entre os planetas transpessoais e sociais, em 1930. Os aspectos tensos – a quadratura e a oposição e nalguns casos, a conjunção - dão a medida do grande potencial de transformação inerente à crise que se está a formar e cujo epicentro decorrerá dentro de dois a três anos. Por exemplo, Urano em quadratura a Plutão simboliza movimentos de revolta contra manifestações autoritárias de poder; Saturno em quadratura a Plutão ilustra a forte tensão resultante da afirmação rígida da autoridade, a dificuldade de o poder instituído aceitar transformar o que virá à superfície como falha, excesso, intolerância desse mesmo poder.

 

1930
2010
Urano quadratura Plutão
Urano quadratura Plutão
Saturno oposição Plutão
Saturno quadratura Plutão
Saturno quadratura Urano
Saturno oposição Urano
Júpiter conjunção Plutão
Júpiter quadratura Plutão
Júpiter quadratura Urano
Júpiter conjunção Urano
Júpiter oposição Saturno
Júpiter oposição Saturno

 

 
Tendo por base estes dados, podemos prever que 2010 à semelhança de 1930, poderá ser o ano economicamente mais difícil de entre os próximos anos. Podemos antever por aqui, a transformação do ponto a que chegou o modelo capitalista das sociedades industrializadas. A década de 30 ficou marcada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York, a grande depressão económica nos EUA e uma crise de liquidez mundial gerada pela quebra das instituições financeiras norte-americanas.
Não cabe neste artigo uma investigação exaustiva dos aspectos dos planetas lentos e sociais até 2010-12, mas os aspectos mais negativos no cenário do poder político mundial serão do meu ponto de vista:
Tendência a fortes tensões sociais, civis e mesmo entre nações, resistência às mudanças e alguns estados a reforçarem o autoritarismo e o abuso do poder.
O emprego da força e as tentativas de manipulação sairão quase certamente frustradas (e até de forma inesperada devido à influência imprevisível de Urano) face ao clima de revolta e contestação gerais. O poder instituído vai procurar reforçar-se e um dos cenários previsíveis será o de tentar controlar os cidadãos (a pretexto de se precaver contra o terrorismo) ultrapassando limites democráticos e direitos dos indivíduos.
 
Actualmente e até Julho 2010 temos Saturno a transitar na constelação de Virgem; este signo relaciona-se com a saúde, a tecnologia, as matérias primas, sistemas produtivos, métodos de aperfeiçoamento, a preservação do ambiente. 
Este trânsito propõe-nos a rigorosa atenção, individual e colectiva, aos desperdícios de recursos e matérias primas; o cuidar do bom funcionamento dos sistemas - sejam os do nosso corpo, sejam os relativos ao trabalho e à produção. Necessária a disciplina para cumprirmos regimes que nos reforcem e que promovam uma transformação positiva; necessária e fundamental a reavaliação dos desperdícios - reavaliar o custo financeiro das empresas, para manterem uma certa imagem no mercado. Conheço uma editora que inutiliza/indisponibiliza milhares de livros mensalmente, para poder manter em circulação o maior número possível de edições e assim manter uma dada imagem no mercado. Os hotéis e os hipermercados deitam fora toneladas de comida e mantimentos que poderiam ser aproveitados por diversas instituições (muitos não o fazem para não correrem o risco de terem que baixar os preços dos seus produtos). Os sinais dos tempos são claros. Não é possível continuar a produzir para aumentar o desperdício dos bens produzidos à custa da delapidação das matérias primas da mãe-terra.
 
O momento actual é um reflexo da habitual intensidade da efervescente força plutónica; com menos expectativas externas, podemos voltar-nos para as necessidades internas, num movimento de resgate de uma unidade fundamental, há muito esquecida de muitos. Esse resgate tem que ser feito com o respeito, conhecimento e alinhamento com as leis arquetípicas e universais. Há uma máxima alquímica medieval que resume este processo paradoxal: "Para que os ramos de uma árvore cheguem ao céu, as suas raízes devem chegar ao inferno."
 
Quando as estruturas e a forma de organização social se mostram obsoletas, é altura de nos voltarmos para a essência: recuperar o espirito das organizações, clarificar a sua vocação fundamental, colocar os valores perenes no centro da actuação humana. Os valores devem ser salvaguardados inequivocamente pelas instituições e estados: valores como a sacralidade da vida humana, a dignidade do trabalho, o direito à diferença, a solidariedade social. Será fundamental usar a criatividade para encontrar soluções para a segurança social, para a escassez de recursos fundamentais à vida como a água, para a qualidade de vida dos mais idosos. Quando Urano entrar em Carneiro (2011) a iniciativa individual será estimulada como nunca, do meu ponto de vista; o estado não poderá substituir-se à iniciativa e criatividade dos cidadãos. Todos serão chamados, na medida da sua capacidade a dar o seu contributo. Surgirão feitos pioneiros e originais na conquista de um maior grau de liberdade e de inovação na área das organizações sociais e não governamentais e a ciência poderá renovar-se num ciclo novo de descobertas e invenções. O impulso de diferenciação ao nível individual aliado à influencia descondicionadora uraniana, farão lembrar aspectos característicos da cultura hippie dos anos sessenta. Prepare-se para desenvolver os seus talentos únicos; não terá nada a perder. O desafio a meu ver será aliar estes aspectos à eficácia prática, à concretização das melhores soluções sociais.
 
O desenvolvimento de comunidades verdadeiramente sustentáveis onde o sistema de trocas de bens e serviços, a par com o respeito pela natureza, a consciência ecológica e o estimular das capacidades do indivíduo, funcionem com eficácia não são uma ideia nova, mas é mais precisa do que nunca. Capricórnio relaciona-se também com a maturidade, o tempo que, com entendimento, confere sabedoria. Acredito que haverá uma transformação importante da atitude social face aos mais idosos. Com o aumento da esperança de vida, provavelmente haverão mais idosos do que nunca habitando o planeta (todos estamos a caminho). Será fundamental reavaliar-se o conceito dos lares da terceira idade ...
 
Vejo tantos ginásios vazios a certas horas... teatros, bibliotecas, campos de jogos, e muitos outros equipamentos. Porque não fazer acordos com escolas, com a segurança social, com organizações sem fins lucrativos e nas horas menos preenchidas, facilitar o uso a populações mais carenciadas?
Neptuno em Aquário significa também que o espirito comunitário e solidário é uma saída inequívoca para a crise actual. As redes de associações de todo o tipo devem trabalhar em conjunto numa acção concertada que ponha em ligação várias áreas umas com as outras.
 
Não devemos esquecer-nos da tendência da natureza (cosmos) para evoluirmos para ordens cada vez mais complexas e consciências cada vez mais ampliadas. A natureza da natureza é transformar: precisamos de uma meta-disciplina social que reuna várias áreas do saber humano na busca e no encontro de soluções novas. Para que os políticos, economistas, especialistas, psicólogos sociais, líderes espirituais possam concertadamente reorganizar uma nova visão para as sociedades actuais com base no sentido proposto pela evolução consciente.
 
 
A Era de Aquário e a Humanidade Universal
Estamos no dealbar da Era de Aquário (um macro ciclo de 2.000 que marca uma tónica particular na História) que propõe fundamentalmente, que os ideais da revolução francesa de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade” sejam gradualmente assimilados e vividos como realidade em sociedades humanas cada vez mais solidárias e cooperativas. A juventude dos ideais democráticos ainda recentemente implantados em vastas regiões do mundo, a (in)consciência colectiva de muitos grupos e sociedades que vivem na ignorância do fanatismo e da superstição, na submissão tribal e na sobrevivência, a ganância e a vertigem destruidora do abuso do poder em todas as suas facetas são só alguns dos aspectos que revelam os desafios que ainda estão pela frente.
No entanto, acredito que esta crise civilizacional que agora vivemos pode constituir um importante passo em frente no desenrolar da era Aquariana. É de realçar o facto de ser muito rara na história da humanidade esta conjugação dos três planetas transpessoais nos três signos do colectivo (neste caso, por cerca de três anos). Este posicionamento absolutamente ímpar do ponto de vista da Astrologia mundial revela a suprema importância do momento. É o tempo para a consciência colectiva se afirmar, como lhe chamo, como o 5º poder: porque só uma consciência mais ampliada pode dissolver o medo. A consciência colectiva deve, mais do que nunca, mobilizar-se e intervir, comprometer-se com iniciativas, concretizar as suas soluções, implementar um novo sentido de unidade lembrando a nossa origem espiritual comum (o que permite o respeito pela diferença). Aqueles três planetas representam o estágio seguinte à consciência de grupo; representam uma visão holística ainda mais abrangente, a necessidade de uma visão cósmica, para as encruzilhadas da nossa condição humana.   
São sinais positivos o sentido de responsabilidade crescente perante o planeta, com os movimentos ecológicos e anti-nucleares. Estes movimentos são efeito e causa de uma consciência que afirma a lealdade para além do estado (já não chega que tudo esteja bem no nosso quintal), a preocupação com o bem estar do planeta. Espiritualmente, cresce extraordinariamente a consciência de que somos responsáveis não só perante as leis civis e religiosas, mas também perante as leis cósmicas, universais. Todos estamos sujeitos à Lei cósmica de causa e efeito, para além de credos, raças ou status, e ela responsabiliza-nos pelas consequências dos nossos pensamentos, emoções e acções e recorda-nos que colheremos o que construirmos hoje.
Barbara Marx Hubbard, uma talentosa visionária norte americana, defensora de uma nova cosmobiologia e de uma humanidade universal, fala da convergência da consciência com a acção para o despertar do potencial dos movimentos sociais, nesta era que vivemos:
“Hoje começamos a descobrir uma perspectiva sistémica (para as sociedades) capaz de conduzir as nossas capacidades, respeitando os quinze biliões de história de transformações biológicas bem sucedidas. Muitos já começam a perceber que há um padrão de sucesso (no desdobrar da natureza); que nós não somos eventos aleatórios atirados ao mar do tempo, que agora somos cocriadores com a própria evolução. Já não precisamos mais reagir simplesmente aos nossos problemas; podemos ser proactivos e escolher um futuro alinhado com as nossas capacidades evidentes. Assim, podemos tornar-nos potencialistas, não meros optimistas. Vivemos uma viragem neste renascimento planetário. O que até aqui tem resultado, a partir de agora pode destruir-nos: poluição, desgaste de recursos não renováveis, um estado de consciência ego-centrado. Tal como os sistemas dos organismos biológicos colapsam e se repadronizam depois de nascerem, assim os nossos sistemas sociais, desenhados para uma fase antiga de desenvolvimento são agora inadequados para a nova fase e precisam repadronizar-se eles próprios. Através da evolução consciente, nós estamos a compreender pela primeira vez enquanto espécie, que é nossa responsabilidade desenhar proactivamente sistemas socais que estejam alinhados com a tendência da natureza para se direccionar rumo a uma consciência superior, a uma maior liberdade, a uma ordem mais sinergética”.
A Evolução eleva a consciência e a liberdade e a verdadeira liberdade, é a que começa dentro de cada ser humano. A proposta colectiva está aí, como forma de sairmos da profunda crise de sentido do mundo pós-moderno. Como forma de dignificarmos o sentido de Ser-se humano. Acredito que sente o seu coração a vibrar com este desafio. Fica aí, ou escuta-o e vem?
 
Vera Faria Leal