Feliz solstício de Verão no hemisfério norte, e de Inverno para os queridos do Sul!

Casamento Rafael e Sandra_21 junho as 15H50

O Solstício – quando o sol fica quieto – de Verão, era chamado de Litha  pelos antigos celtas; tempo de celebração da prosperidade da Terra, cheia de Vida; do casamento entre Céu e Terra, tempo da manifestação de uma vida nova, novos frutos, novas possibilidades. Que renovação está a acontecer na sua vida agora? O quanto acreditou em si e investiu nos seus talentos? É tempo de assumir o que realmente ama, libertar padrões emocionais caducados, e escolher de livre vontade, as responsabilidades que o ajudam a florescer e a reencontrar-se com a sua essência!

O mapa astral do solstício revela quer a intensidade emocional a que o mundo está agora sujeito, quer a capacidade de atravessarmos as águas das nossas emoções curando, alquimizando e amando, a nós e aos outros, como nunca fizemos ainda.

 

Foi precisamente este mapa astral que “batizou” o casamento baseado na tradição celta das sacerdotisas de Avalon, que ontem tive a honra e o prazer de celebrar, como Sister of Avalon, com um casal absolutamente inspirador e maravilhoso, por quem tenho imenso carinho, no coração de Portugal. Já tinha tido a alegria de celebrar dois casamentos em Avalon, mas nunca em terras lusitanas. Foi uma cerimónia maravilhosa, um Ritual vivo, cheio de Amor e comunhão com a natureza e todos os presentes.

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Quando temos a consciência de que estamos no caminho da nossa individuação, então já estamos na meta no sentido em que a presença gradual no agora abre as portas à inspiração Divina, gerando as preciosas sincronicidades; possibilita a integração entre o ideal e o real, a luz e a sombra, a personalidade e a alma; gera epifanias que chegam a arrepiar, nos momentos em que ”sabemos” que o AMOR, que é a expressão da unidade existencial subjacente à manifestação, É o Caminho. A verdade, a Vida.

O FILME MALÉFICA, O AMOR, ARQUÉTIPOS E O NOVO PARADIGMA

Nota: quando falar de valores femininos e masculinos, falo de yin e yang, não de homens e mulheres. Tudo o que existe na manifestação tem uma combinação destas duas energias.

Estreou recentemente este filme fantástico, onde eu considero que a Disney se “redimiu” de décadas a desvirtuar a profunda sabedoria arquetípica de contos de fadas tradicionais. Nos contos de fadas encontramos os padrões que dão forma ao desenvolvimento humano. Os reis representam uma crença coletiva dominante e os valores masculinos/yang, nomeadamente do agir de uma dada forma; as rainhas representam os sentimentos (valores yin); num paradigma civilizacional em mudança, novas crenças e valores emergem no inconsciente coletivo, e nas artes, nos contos de fadas, espelhando essa nova consciência em expansão e revelando o mapa da estrada a trilhar.

No filme Maléfica, há dois mundos que coexistem, o dos humanos e o das fadas; o das fadas denota uma profunda comunhão entre toda a vida, a terra, a natureza. O patriarcado tentou suprimir a relação com a Terra, pois ela era cultuada como a Deusa no passado; quando estes valores femininos são suprimidos, os contos de fadas mostram-nos a princesa a dormir, que é uma metáfora para o “estarmos coletivamente adormecidos para a forma Yin de sentir e ver a vida, através dos olhos da imaginação. Quando a “princesa adormece” numa cultura, a energia feminina reprimida ou remetida para “o submundo/inconsciente” é reabsorvida em grande parte, sob a forma da vilã – as bruxas, as madrastas, a mãe má que nos quer amaldiçoar e matar. O filme Maléfica mostra como a dor da traição e do abandono forjaram as armaduras em redor do coração de uma mulher que antes, tinha amado muito. Mostra o início, provavelmente nunca antes revelado nos filmes da Disney. 

O reino dos humanos cobiça a luxuriante vida do reino das fadas e um Rei ganancioso e decadente (representação dos valores yang imaturos do patriarcado) tenta invadir o “paraíso”. O herói, imaturo e sedento, como o nosso ego no início da jornada da vida, é o arquétipo do guerreiro, tão querido na nossa cultura, colocando a sua “causa” à frente do amor, com os fins justificando os meios. É assim que a natureza – lá fora e dentro de nós – tem sido traída, abandonada e contaminada pelos esforços “guerreiros” humanos, insensíveis ao valor sagrado da Vida.

Mas é caraterística da natureza aproveitar tudo para o bem maior de todos, com o mínimo dispêndio de recursos possível E assim, as tribulações provocadas pelas maldições da mãe má, levam-nos a enveredar pelo caminho onde vamos encontrar cura, sentido, sabedoria e consciência, pela dor que provoca. Maléfica é a fada madrinha não convidada para o batizado – o feminino temido e evitado pelo patriarcado, que sãos os referidos valores do sentimento, da imaginação, da intuição – cuja ação decisiva irá ajudar a princesa e a mim e a si – pelo encontro com a nossa própria sombra, a alcançar níveis mais profundos de integração e completude.

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Maléfica, maravilhosamente interpretada pela muito talentosa Anjelina Jolie, é uma fada muito especial com poderosos chifres e asas gigantes; os chifres representam o poder espiritual dos chacras de topo ascendendo na direção do céu; como antenas sintonizadas com a dimensão espiritual. Os chifres de Maléfica representam o poder do crescente lunar (do yin), a sua força e poder generativos. As asas são outro indicador da sua natureza espiritual; ela é um espirito da natureza guardião da Terra.

Stefan, o herói/vilão, quando trai Maléfica, trai os seus valores femininos, torna-se num rei ferido – simbolizando as crenças patriarcais feridas, desintegrativas. Ao perder a conexão com o seu feminino interno, o seu instinto e sentir (simbolizado pelo afastamento com Maléfica) claro que enlouquece, pois esta amputação volta-se forçosamente contra ele! Não é a história do patriarcado, onde homens e mulheres como Stefan, se infligem a si e aos outros grande dano e desequilíbrio?

O corvo, animal totem em algumas tradições, que representa a capacidade de mudar de forma e a ligação à magia, torna-se o companheiro de Maléfica na forma de Diaval.

A princesa Aurora – nome que espelha o que ela representa, o nascer da nova vida feminina do sentimento – é deixada aos cuidados de 3 fadas “amigas do patriarcado” que representam o feminino desligado do corpo, dos instinto. Este feminino, em mulheres e homens é incapaz de tomar boa conta das crianças, como acontece na nossa sociedade; as fadas negligentes e auto absorvidas são substituídas, surpreendentemente ou talvez não, por Maléfica e Diaval. Esta é a única forma de curar o feminino ferido, resgatando a sua natureza e sabedoria essenciais.

angelina e filha

Tudo se transforma quando Maléfica e Aurora se apaixonam uma pela  outra (e que bela cena, quando Maléfica/Angelina contracena com Aurora criança, sua filha na vida real! Angelina disse que foi a única criança que não teve medo de atuar com ela!).

 Mas a maldição daquela torna-se impossível de reverter, excetuando por um “beijo de verdadeiro amor”. Maléfica tenta salvar a sua amada Aurora levando o jovem príncipe ao seu leito – mas como é que um amor jovem, feito todo de projeções e expetativas, ainda não testado pela força da vida, pode ser “verdadeiro? Todos os que já nos apaixonámos (durante o tempo suficiente) sabemos isto. O amor verdadeiro é um caminho feito de mortes/espinhos, que nos centrifugam no caldeirão da transformação, de onde somos “cuspidos” quando a vida achar que estamos finalmente bem “cozidos” e de verdadeira valia, face ao que precisamos aprender. Nada é ao acaso, nada resulta fora do tempo, nada pode ser apressado, acelerado ou abreviado sem preços a serem pagos pelo atrevimento/imprudência.

É pois, o beijo de Maléfica que desperta a princesa Aurora – é o amor verdadeiro que só pode vir de um conhecimento da completude do outro, e da aceitação da Alma do outro. E é Aurora que salva as asas de Maléfica, liberando-a: o divino feminino só nos pode curar e ser curado através da nossa natureza e consciência femininas.

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Aurora, o novo amanhecer, traz a cura do reino humano e a união deste com o reino das fadas. Pelo resgate do feminino ferido e do Divino feminino, essa cura e completude torna-se possível!

O amor é a resposta e o caminho. E não perca o filme!

Estes temas serão profundamente trabalhados no meu curso anual a que este ano dei o nome de BodySoul Work: CURSO ANUAL da FEMINITUDE e MASCULINIDADE CONSCIENTES©

Para mulheres e homens. Este Curso é baseado em Psicologia arquetípica (de orientação Junguiana), mitologia, psicanálise dos contos de fadas e BodySoul Work. Abordam-se algumas tradições dos sagrado feminino e masculino, com relevância para a celta. Pretende fomentar a FEMINITUDE (FEMININO EM PLENITUDE) e a MASCULINIDADE CONSCIENTES em mulheres e homens, para a completude do seu processo de individuação (tornarem-se em quem nasceram para Ser). A partir dos 9 arquétipos principais trabalhados no masculino e no feminino, fazemos a viagem através do Labirinto (da Vida) encontrando na nossa multiplicidade, a unidade essencial que nos habita. Edição 2014-2015 – presencial e online (via Skype com tutoria). Informações: harmoniaviva@gmail.com

Bençãos e feliz Solstício!

Vera Teresa

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