Feliz Ano Novo a cada um!

 Hoje, dia 1 Janeiro, é Lua Nova de Capricórnio – o Universo envia-nos uma mensagem clara com este início (Lua Nova) no princípio do ano: no caldeirão da transformação de Plutão, o Deus da morte, transformação e renascimento, estão:

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 – o Sol, o nosso sentido de identidade, símbolo da energia yang/masculina, a luz da consciência, e da irradiação da nossa criatividade e processo de individuação;

– a Lua, essa Deusa dos mistérios cíclicos, espiralados, do feminino, do inconsciente, do profundo; símbolo da energia yin recetiva, da vida interior (essa que tanto pode revelar o vazio como a plenitude da Alma), as memórias e o passado, as nossas necessidades, a imaginação.

– Mercúrio, esse deus psicopompo, mediador entre o divino e o humano, propiciador de pontes no reino da dualidade; ele também simboliza a mente (sobretudo relacionada com o hemisfério esquerdo cerebral, verbal, analítico, linear), capacidade de aprendizagem, potenciais de comunicação.

TODOS estes aspetos em nós estão a ser chamados a entrar no fogo da transformação Plutónica, para queimarmos (voluntariamente se possível) os obstáculos a essa visão mais inspiradora, alargada e consciente de quem somos, e nos libertarmos dos condicionamentos caducos que nos fazem resistir a Ser quem nascemos para EXPRESSAR.

 Grande mensagem de renascimento neste Ano Novo! Nascer dói, mas se dermos sentido às dores de parto, desistirmos de tentar sobreviver mantendo a ilusão de que estamos (sozinhos) em controlo das nossas vidas, e nos abrirmos corajosamente à inspiração que de dentro de nós clama por materialização e expressão viva, as nossas circunstâncias serão abençoadas por uma incrível energia nova, o impossível torna-se realidade e a mudança e o desconhecido perdem o seu tom ameaçador, e metamorfoseiam-se no sal que dá gosto à vida sempre nova, surpreendente para além dos nossos mais ousados sonhos!

 Acredito que o sentido da vida não reside na conquista de mais poder mas no caminho que nos ensina a render sempre mais, ao Maior que em nós habita. Esse processo, chamado de individuação por Carl Jung, ou iluminação nas suas sucessivas etapas espiraladas e alquímicas, corresponde à deslocação gradual e consciente do centro de gravidade da personalidade/ego, para o Self (Eu divino imanente). Para mim, a Vida é esse Caminho, essa incrível peregrinação por onde vamos fazendo a Alma que é o “veículo” que nos acompanha nas nossas sucessivas aventuras cósmicas. Fazer a Alma implica aprender a viver no presente, a valorizar o Processo em vez do Produto, abraçar os paradoxos da existência construindo esse contentor recetivo, altamente magnético e cada mais unitário e amoroso que para mim, é o substrato da verdadeira espiritualidade. Independentemente da crença que abraçamos, precisamos ter uma Alma, cada vez mais irradiante, expressiva e por isso tão abençoadora do nosso destino. Quando estamos no útero materno, desenvolvemos os nossos olhos, ouvidos, boca.

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Enquanto estamos a “ser feitos”, não precisamos de falar, de ver ou até de escutar, mas certamente que, quando nascermos, vamos precisar desses órgãos e competências para viver. Talvez que o mesmo aconteça ao longo da existência na terra: em cada ano de vida estamos a “fazer” a Alma, a construir as competências espirituais que nos ajudarão a viver quando nascermos para a outra dimensão. Para mim, essas competências correspondem a todas as virtudes espirituais, que afinam as nossas antenas psíquicas, aprofundam a nossa recetividade e expandem o nosso coração para acolher e amar o que É. São essas competências, que nos irão ajudar a atravessar as sucessivas “frequências vibratórias” que a Alma humana “surfa” ao longo da eternidade. Que em 2014 possamos continuar a fazer a Alma aceitando-nos exatamente como somos, para nos amarmos cada vez mais, abraçando os paradoxos para recebermos soluções e bênçãos inauditas e maravilhosas. Que possamos disser: Sou uma Alma de Paz e Amor por direito próprio e que essa memória crescente alquimize as nossas vozes nazis internas, críticas, sequiosas de angústia e negatividade.

 Este é o mapa astral desta lunação, cuja mensagem, juntamente com a de Sagitário e do solstício de Inverno (que já tive oportunidade de vos enviar) dá a meu ver, a tónica de 2014.

Lua Nova Capricornio

Há imensa energia contida nesta grande cruz cardeal, cuja dinâmica estará potenciada na Primavera (sobretudo Abril) fechado o ciclo em Dezembro deste ano. Esta energia cósmica irresistível chama-nos a quebrar definitivamente com parcerias, trabalhos, estilos de vida, auto estimas pobres, insuficientes negativos e a abrirmo-nos a um novo paradigma pessoal e social, do qual tanto tenho falado. Porque Capricórnio está envolvido, é necessária disciplina, mobilização de recursos, prática efetiva, assumir responsabilidade por nos levarmos a sérios e aos nossos sonhos. Vamos assistir a novas relações com figuras de autoridade, sistemas de segurança financeira, laboral, institucional.

 Marte em Balança (Libra) pode tentar fugir do confronto, mas não podemos escapar (sem consequências sérias) da abordagem que contém as sementes da verdadeira transformação: não evites não fujas, não reprimas. Fala a tua verdade e enfrenta o teu ego na sua dimensão mais negativa; trabalha o teu auto conhecimento para seres verdadeiramente livre. O que se liberta dentro de ti, liberta-se fora. Para mim, em ultima análise, a derradeira liberdade é precisamente aquela das nossas “vozes nazis internas”; quando somos o que SOMOS, podem tirar-nos a vida, que não nos tiram esse Ser/consciência. Agora essas vozes internas podem destruir-nos verdadeiramente.

Úrano em Carneiro, como temos visto nos últimos 2 anos, é o apelo Prometeico de liberdade, r-evolução, mudança, atualização do nosso potencial; se o negamos, temos acidentes, carências abandonos, frustrações, etc.. Já não adianta querermos o poder a todo o custo: o desafio é o de falarmos a nossa verdade com compaixão e autenticidade, potenciando assim a resolução dos diferendos em vez de “disparar a matar” onde nos perdemos de nós, do nosso centro, da nossa paz, da nossa verdade. Precisamos ser honestos e colocar a nossa verdade “encima” da mesa; assim haverá maior capacidade de transformar as relações resolvendo conflitos e diminuindo sofrimento. Não despertar, não querer ser mais livre e consciente, não querer ser honesto com o que se sente, o que se quer ou precisa, NÃO é opção! Ser passivo-agressivo, acínico, sarcástico, não é opção!

Júpiter em Caranguejo pede aceitação e o assumir da nossa criança interior, das nossas necessidades afetivas, para que nos possamos sentir em casa em nós mesmos; pede que elevemos a dignidade da intuição, por natureza não racional, não lógica, mas pertencendo ao hemisfério direito cerebral, holística, sintética, criativa e surpreendente. É fundamental continuar a dignificar a condição humana; é fundamental partilhar amor, abraços, vulnerabilidade, (sem cair na polaridade negativa desta posição de Júpiter em Caranguejo: manipulação, culpabilização, narcísica preocupação com as suas próprias necessidades). Esta grande cruz cardeal desafia-nos ainda, a integrar de praticamente todos os aspetos da vida:

– Ambição profissional sem me perder nela e tendo tempo só para mim, família e sociedade;

– Vida familiar sem me esquecer dos meus objetivos de desenvolvimento pessoal e profissional.

– Meditar e retirar-me mas sem ficar excessivamente solitário e introvertido. RESPIRE! Lenta, profunda e serenamente…

Vamos ver-nos a nós mesmos e aos outros com maior clareza: que oportunidade! Os próximos 6 meses vão ser extraordinários de grande claridade que despoleta a correta justa e ação. Acredito que a mudança que chama por nos é a que nos ajuda a completar o que temos feito até agora, para que nos reconheçamos ainda mais plenos, autênticos e realizados.

Seja o autor da sua vida, seja a mudança que quer ver acontecer no mundo, como o Mestre Gandhi ensinou!

S. Paulo até breve, a todos, muitas bênçãos e um abraço doce!

Vera 

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