Por Vera Faria Leal

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Vivemos uma crise civilizacional há muito anunciada pela Astrologia Mundial que estuda a evolução das sociedades humanas a partir dos ciclos dos planetas lentos – Urano, Neptuno e Plutão. A interpretação daqueles ciclos e a sua mútua intersecção permite antever um sentido profundo para as movimentações daquelas sociedades e aferem um padrão de regularidade dentro do caos/aleatoriedade aparente das circunstâncias. A Astrologia mundial revela a proposta oferecida à consciência da humanidade em cada geração e era, clarificando os desafios a superar, indicando as áreas sobre as quais incide o maior foco de transformação e fornece-nos um inestimável guião planetário que aponta o norte do futuro, como uma bússola orientadora da evolução das consciências e, por inerência, dos destinos que formos capazes de co-criar para nós mesmos.

Estamos na era da transformação das estruturas do poder, denunciado agora por Plutão em Capricórnio: a seriedade, rigor ou eficácia das instituições, sejam governamentais, económicas ou sociais, estão gradualmente a ser postas em causa em diversos graus. A tensão e a crise são o motor do processo de transformação do velho para o novo paradigma; Por isto a crise é sempre dinâmica, e requer novas decisões e soluções. Ela foi anunciada pela Astrologia há muito e estará o tempo necessário para que se enraíze na consciência colectiva, o impulso da renovação das sociedades humanas, agora que existe massa critica necessária para que a acção de todas as pessoas, grupos e estados, empenhados na busca de novas soluções para este beco sem saída a que chegamos, possam semear sociedades mais equilibradas e justas (se essa for a nossa escolha, pois os astros põem mas o Homem dispõe).

 

Breve análise astrológica da actual conjuntura mundial

Urano em quadratura a Plutão até perto 2015 vai continuar a potenciar movimentos de revolta contra manifestações autoritárias de poder; a crise nas instituições mundiais vai forçá-las a rever orientações, politica económica e missão. Como reflexo, a tensão vivida no coração das  famílias –  a célula da sociedade – vai forçá-las a encarar o que não funciona, a cuidar de antigas feridas para as quais “nunca havia tempo”, a responsabilizar cada um a reinventar-se e a criar novas circunstancias para si, apoiando aqueles que ama. As velhas soluções não vão funcionar, nem economicamente, nem socialmente, nem politicamente – todos somos chamados a descobrir um caminho nunca antes percorrido nas nossas vidas. Se cada indivíduo enfrentar as suas áreas de medo, rigidez e apego a velhas formas de poder, acredito que o desafio está ganho. Quem antes apostou na “segurança” tem agora que aprender, através da perda em qualquer nível, a ir mais fundo e a confiar verdadeiramente na Vida, como um sistema integrado e inteligente de agentes e eventos que sempre conspiram a favor da evolução consciente. Ou por outras palavras, a Vida sempre conspira a favor do maior bem de todos envolvidos. Nestes tempos somos chamados experienciar a vida “sem rede”: sem as redes da ganância, do orgulho, da ilusão de que, se nos mantivermos “bonzinhos” obedecendo cegamente a pais/chefes/líderes… autoritários, eles nos “safam”. A autoridade está em crise e somos chamados a redefini-la e a integrar nessa nova forma de liderar, palavras com sentido: partilha, responsabilidade, solidariedade, serviço. A nossa própria autoridade individual está a ser convidada a repolarizar-se, não já por reporte ao exterior (dependente do que temos, status profissional ou académico, etc) mas sim ao interior – inteligência emocional, competências relacionais, capacidade de manter o equilíbrio interno mesmo em condições adversas, capacidade de se adaptar à mudança, prática da cooperação, ligação à essência do ser. Há alternativa ao pesadelo que é viver em sociedades “civilizadas” que destroem massivamente vidas, valores e recursos naturais preciosos. Há alternativa à impotência; à desolação espiritual, à cultura do sofrimento. O binómio vencedor-vencido (poder/submissão) – apanágio das sociedades patriarcais nas quais vivemos pelo menos há quatro mil anos, terá que ser substituído pelo de vencedor-vencedor (cooperação).

 

A NOVA CONSCIÊNCIA

Estamos no limiar de um salto evolucionário critico para as sociedades humanas, que nos instiga à cura dos nossos corpos, à remoção dos nossos bloqueios emocionais, à clarificação das nossas mentes, à descoberta das nossas Almas. Os sentimentos serão cada vez mais intensos e uma grande onda emocional varrerá a consciência colectiva enquanto o velho mundo desagua definitivamente no oceano do passado. Somos chamados a encarar a verdade acerca de nós mesmos e dos outros, à integridade e à busca de formas éticas de nos relacionarmos e a questionar as escolhas do poder que acabaram por precipitar esta viragem. Urano e Plutão em quadratura activam processos de decantação, necessidade de renovação e mudança, eliminação, despojamento de tudo aquilo que já não precisamos, para que seja possível assimilar novas aprendizagens e estruturar novos alicerces na vida. Temos que questionar a forma como usamos a nossa força/energia, para perceber com clareza o que é que na nossa vida contribui para a desordem, a desunião, a desintegração. Um tempo para aprendermos a estruturar os nossos dons e talentos e para compreender quais são as responsabilidades e deveres que reduzem a nossa vida – reconhecer as coisas com as quais já não é possível vivermos nem pactuarmos. Somos chamados a encontrar formas inovadoras de cultivar a cooperação, a mantermo-nos focados no que é importante sem nos deixarmos distrair pela agitação, a abandonar conflitos, limitações ou regras alheios, que já não se aplicam à nossa vida.

Um dos aspectos eventualmente mais importantes deste toque de despertar, é o chamamento à missão, a possibilidade de, no meio de circunstâncias difíceis e desafiadoras, vislumbrarmos o nosso propósito fundamental de vida, de aprendermos a ser fieis a ele, descobrindo o nosso sentido único de ser. Ultrapassando resistências à mudança, libertando o passado, saindo fora da “caixa” das antigas limitações, reinventando-nos, vamos caminhando no processo da individuação – ser a pessoa que nascemos para vir-a-ser. Quando compreendermos que as condições adversas cumprem o propósito de instaurar novos modelos de funcionamento da vida individual e colectiva, poderemos escolher com a liberdade de uma consciência clara, ser porta-bandeira das nossas intenções mais profundas e válidas.

O momento actual é um forte chamamento à nossa verdade mais fundamental de Seres humanos. Com menos expectativas externas (elas estão a cair como um castelo de cartas) podemos voltar-nos para as necessidades internas, num movimento de resgate de uma unidade fundamental que nos habita. Esse resgate tem que ser feito com o respeito, conhecimento e alinhamento com as leis arquetípicas e universais. Quando as estruturas e a forma de organização social se mostram obsoletas, é altura de nos voltarmos para a essência: recuperar o espírito das organizações, clarificar a sua vocação fundamental, colocar os valores perenes no centro da actuação humana. Os valores devem ser salvaguardados inequivocamente pelas instituições e estados: valores como a sacralidade da vida humana, a dignidade do trabalho, o direito à diferença, a solidariedade social. Será fundamental usar a criatividade para encontrar soluções para a segurança social, para a escassez de recursos fundamentais à vida como a água, para a qualidade de vida dos mais idosos. O desenvolvimento de comunidades verdadeiramente sustentáveis onde o sistema de trocas de bens e serviços, a par com o respeito pela natureza, a consciência ecológica e o estimular das capacidades do indivíduo, funcionem com eficácia não são uma ideia nova, mas é mais precisa do que nunca.

 

Portugal e o momento histórico actual

Portugal atravessa trânsitos (configurações planetárias muito exigentes); são necessárias humildade e aceitação para atravessar este momento de indefinição de identidade, de uma certa desintegração de referências, que antes pareciam dar conforto e que agora, estão por terra. É um povo que tem que se reinventar começando por reestruturar as suas fundações emocionais, ou, por outras palavras, precisa amadurecer emocionalmente e procurar como nunca, a sua Alma resgatando-a de volta, como Saturno a transitar pela casa quatro propõe. Quem és tu agora, Portugal? A resposta não virá de fora, mas do interior; só virá dos valores mais profundos do ser Portugal. Os nossos poetas, artistas e músicos sempre cantaram a alma portuguesa e hoje, mais do que nunca. As Artes têm um importante contributo para nos recordar, colectivamente, a essência de que somos feitos. Entre Dez. 2011 e Abril 2012, importantes medidas económico-sociais precisam ser tomadas, mesmo que por agentes políticos envoltos em considerável insegurança politica. Aceitar pagar o preço pela má gestão pública no passado é fundamental, mas igualmente importante é desbloquear o espírito criativo, a inspiração e a capacidade de iniciativa dos portugueses; Urano em Carneiro em trigono ao Marte de Portugal em Leão na casa dois faz antever algumas iniciativas bem sucedidas e notícias encorajadoras, dentro de um contexto necessariamente ainda depressivo. Dar um salto no desconhecido implica acreditar e avançar sem estar ainda seguros do resultado. A mudança (degradação) da nossa imagem no exterior (Úrano conjunto a Saturno na casa dez) poderá alterar-se positivamente nos próximos quatro anos, se abandonarmos antigas referencias limitadoras, falta de auto confiança, e se valorizarmos os nossos verdadeiros talentos ousando corajosamente dar ao mundo o que temos realmente de único, e não uma cópia insegura do que os outros são. Ainda estamos aquém do nosso valor e contributo no concerto das nações, mas precisamos clarificar melhor para nós próprios, que papel é esse. As respostas mais importantes a dar, virão desta capacidade extraordinária de nos reinventarmos, depois de termos “batido no fundo” (até final de 2012). A ligação de Portugal à Comunidade europeia poderá sofrer alterações na Primavera e/ou Outono de 2012. As limitações dos nossos parceiros, pela positiva poderão ajudar-nos a sair de uma certa letargia/passividade perante as dificuldades e a reconstruir a marca Portugal, dentro e fora das fronteiras (mas esta marca tem que ter coração, para triunfar). Com essas limitações externas, poderemos compreender que está sobretudo nas nossas mãos, a capacidade de mudar a forma como vivemos. A desorientação espiritual e de valores caminha para um clímax e no segundo semestre de 2012, poderá surgir gradualmente, uma maior clareza e discernimentos nesta matéria. Com a quadratura de Neptuno à Lua e o trânsito de Júpiter pela casa doze de Portugal, precisamos evitar a todo o custo o sentimento e a postura de mártires que precisam de um qualquer salvador; antes, assumir vulnerabilidades, promover a reflexão, agir responsavelmente, ajudar-nos-ão a redescobrir o sentido que precisamos, por entre as circunstâncias difíceis dos próximos quatro anos.

 

Palavras finais

Acredito que a crise civilizacional que vivemos pode constituir um importante passo em frente no desenrolar da era Aquariana. É o tempo para uma emergente consciência colectiva se afirmar, porque só uma consciência mais ampliada pode dissolver o medo. A consciência colectiva deve, mais do que nunca, mobilizar-se e intervir, comprometer-se com iniciativas, concretizar as suas soluções, implementar um novo sentido de unidade lembrando a nossa origem espiritual comum (o que permite o respeito pela diferença). a necessidade de. Espiritualmente, cresce extraordinariamente a consciência de que somos responsáveis não só perante as leis civis e religiosas, mas também perante as leis cósmicas, universais; necessitamos de uma visão mais alagada, uma visão cósmica, para as encruzilhadas da nossa condição humana. Todos estamos sujeitos à Lei cósmica de causa e efeito, para além de credos, raças ou status, e ela responsabiliza-nos pelas consequências dos nossos pensamentos, emoções e acções e recorda-nos que colheremos o que construirmos hoje. Desejo que saiba fazer a diferença na sua Vida!

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