ASTROLOGIA E CONSCIÊNCIA

Entrevista de Vera Faria Leal, à Rádio Aurora, sobre Astrologia

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Contém muitas das questões que o público coloca aos Astrólogos. Conheça a visão de Vera Faria Leal sobre o valor, o sentido e a eficácia da Astrologia, para nos orientar e esclarecer face ao nosso propósito de Vida.

horoscopo

Rádio Aurora: Obrigado por ter aceite o nosso convite e por estar connosco aqui hoje.

Vera FL: O prazer é todo o meu! Muito grata pelo convite, parabéns pelo vosso projeto que eu não conhecia mas que é fascinante e parabéns pela vossa dinâmica!

RA: EM PRIMEIRO LUGAR, ATÉ QUE PONTO OS ASTROS INFLUENCIAM A NOSSA VIDA?

Vera FL: Devo dizer que a resposta a essa questão dava para estarmos aqui não só hoje, mas amanhã e depois e depois ainda! Assim, vou apelar à minha capacidade de síntese. Há um dito, um aforismo que afirma: “os astros põem, mas o Homem dispõe”; essa proposta que o mapa astral revela, é vivida por cada pessoa, de acordo com o seu nível de consciência. Se eu quisesse encontrar uma metáfora para a proposta individual com que cada um de nós nasce, lembrar-me-ia da singularidade da nossa íris, ou das linhas das nossas mãos. Cada um de nós tem um propósito particular para vir à vida; cada um de nós é a semente de um projeto que precisamos conhecer e cumprir. Nessa medida, a Astrologia usa, como parte fundamental do seu alfabeto, a “linguagem simbólica dos astros”, esses corpos celestes que estão em determinados pontos do sistema solar no momento em que nós nascemos. É esse momento do nascimento de um ser, um evento, um pais, etc., que constela uma dada e única configuração astrológica a partir da qual a Astrologia vai aferir/interpretar esse destino, esse projeto, esse devir dessa semente que somos cada um de nós, e que nasceu para se cumprir, para vir a ser isso que essa proposta anuncia. Há, pois, muito claramente, uma proposta única para cada um de nós cumprir na Vida!

É também importante distinguir duas dimensões: a esotérica (com “S”) que corresponde à dimensão oculta, interior, invisível, que a Astrologia estuda (vocês como psicólogos estão habituados a investigar a dimensão oculta do ser, porque a psique, que estudam, nunca ninguém a viu, ela é oculta mas tem consequências, obviamente); e a dimensão exotérica (com “X”) exterior, visível, corporizada pelo sistema solar e todo o cosmos. A Astrologia, como ciência esotérica investiga e postula sobre essa dimensão eminentemente simbólica, subjacente aos corpos celestes visíveis naquele sistema. A dinâmica dos planetas (estrelas e satélites) nas suas órbitas cósmicas, é lida pela astrologia no seu significado oculto, simbólico e arquetípico; as suas coordenadas astronómicas fornecem o mapa que a Astrologia lê, e a partir do qual as previsões são feitas. Tudo o que tem um momento de nascimento: um ser, um país, uma empresa, uma rádio, todos têm um mapa astral, que é esse blue print cósmico que espelha a sua singularidade, tanto quanto a íris ou as linhas desenhadas na palma das nossas mãos. Os Orientais (e nomeadamente a medicina tradicional chinesa) sabem ler o rosto, sabem ler a íris. São conhecimentos muito antigos, antigos como a Astrologia, que está na génese da própria filosofia. E que ensina que cada pessoa tem essa proposta única e individual para cumprir – pois é aquela que melhor serve a sua evolução – mas que a dimensão da consciência que a cada um habita é muito responsável pela forma como nós vamos desdobrar e viver esse destino que nos coube. Então por isso é que nós não temos que copiar o destino uns dos outros: porque isso é impossível! Somos únicos e diferentes, ricos e abençoados precisamente por essa diversidade e individualidade. Querer ter o destino do outro, querer “copiá-lo” não só é desconhecer o nosso potencial, negar a nossa razão de existir, como é um esforço inútil e pelo qual muitas vezes se pagam preços elevados. Um golfinho bem podia tentar ser uma águia…. Cada um precisa ser a mais excelente versão de si mesmo, que é sempre a mais consciente. Ou seja, a excelente versão é uma versão mais individuada, se quisermos usar uma palavra de uma pessoa que eu adoro que é o Carl Jung; mais inteira, mais integrada. A Astrologia ensina que o Universo está programado para essa Unidade: UNI-VERSO =VERSUS UNO (para a unidade); a unidade espelha a integração do ser, da luz, da sombra, da anima, do animus, da alma, da personalidade, enfim por aí fora, das diversas polaridades que habitam/enformam o ser. Esse processo de integração é alcançado na mesma medida do nível de consciência que cada um alcança, vida após vida. Nascemos com um mapa astral que indica os desafios, as tensões, os conflitos internos, e também as harmonias, os talentos e dons que precisamos rentabilizar, o nosso potencial criativo. Os astros no mapa natal espelham, na sua linguagem simbólica, a identidade que em cada vida nos cabe expressar, irradiar e consciencializar (em níveis unitários crescentes).

cosmos

Eles refletem a escolha de um destino que se vai cumprindo através das lições e aprendizagens que uma dada personalidade atrai para si, ao longo da vida. “Os astros põem, mas o homem dispõe”: a proposta para sermos quem nascemos para-vir-a-ser está lá, mas é o nível de consciência que temos, que decide a versão dessa proposta que podemos viver. É a consciência que em última instância, define se vivemos uma versão medíocre, suficiente ou excelente do destino que nos coube. A Astrologia não é responsável pela forma como escolhemos viver a proposta que nos coube, com tudo o que somos; pelo contrário, a Astrologia reflete e sinaliza as etapas da nossa evolução estimulando-nos a expandir a consciência, o auto conhecimento e a sabedoria. Cada pessoa nasce com o seu próprio “mistério” (a forma como vai escolhendo desdobrar o seu destino/potencial, a expressão da sua verdadeira identidade. A capacidade que cada um de nós tem de se pôr em causa, de se querer conhecer e trabalhar, vai transformando o Karma (destino herdado) em Dharma (quando o destino é plenamente aceite, o ser é liberto para a bênção de uma unidade crescente com a Vida/Universo/Deus/Deusa, o que lhe quiser chamar.

“Destino, é fazer alegremente o que precisa de ser feito”. Carl Jung.

 

RA: O que seria o mundo sem Astrologia?

Vera FL – O que seria o mundo sem um mapa que nos orientasse através dos ciclos, das quedas, das descidas às noites escuras da nossa alma, das subidas a novos níveis de consciência e a novas sínteses que vamos fazendo através da nossa capacidade de lidarmos com os desafios? Eu diria que um mundo onde as pessoas seriam muito pouco conscientes de si e muito pouco conscientes do todo do qual fazem parte. Seria um mundo muito árido, muito pouco sábio, no sentido em que nós não teríamos referencias que nos ligassem, primeiro que tudo, ao nosso próprio destino individual, à nossa missão, ao nosso Ser, ao nosso projeto individual, e depois ao projeto cósmico do qual todos fazemos parte. Do ponto de vista da Astrologia, há uma dimensão individual/pessoal, em que nós precisamos evoluir para compreender o quanto estamos todos ligados a essa outra dimensão cósmica/transpessoal. Neste processo, vamos percebendo o quanto precisamos de crescer todos uns com os outros e o quanto nos influenciamos mutuamente nesta caminhada que a humanidade partilha. Felizmente que temos a Astrologia!

 

RA – Tem falado em cumprir a missão de vida e que através da astrologia é possível percebermos ou compreendermos a nossa missão de vida. Ajudou alguém a encontrar a sua missão?

Os astrólogos dispõem de um corpo de conhecimentos consubstanciado no mapa astral, capaz de diagnosticar imediatamente em multinível, as diversas dimensões do Ser. O mapa astrológico, ou mapa natal, ou tema natal, ao revelar a proposta de vida da pessoa, fá-lo com precisão, em todos os quadrantes e em todas dimensões; revela os diversos aspetos da individualidade; desde a sua experiencia pré natal ou seja, fornece indicações do tempo vivido intra útero da mãe, até ao potencial de relação, de afetos e de vinculação; até aos dons e aos talentos, expressão dum potencial, às tendências na sexualidade, à vocação maior, à forma como podemos melhor nutrir a nossa Alma. A Astrologia revela a dimensão feminina do ser, a relação das energias Yin, com a dimensão masculina do ser, a relação das energias yang, que os homens e as mulheres têm em si. Revela o destino herdado ou seja, aquilo a que vulgarmente em ciência se poderá chamar essa herança genética e o destino que nós podemos cumprir a partir dessa base que nos foi dada. E ficaria a enumerar o que a Astrologia pode fazer por nós, na revelação da nossa maravilhosa e complexa riqueza. Por isto também, é um instrumento impar. Eu não conheço outro e já estudei muito e muita coisa e continuo a fascinar-me com a Astrologia.

Aliás, eu gostaria de tirar o estigma que rodeia a palavra destino, nesta sociedade patriarcal (em decadência) em que ainda vivemos velha de pelo menos 4.000 anos, muito polarizada nos valores da competitividade a todo o custo, do poder sobre qualquer outra coisa, sobre os outros. Sociedade assente no paradigma vencedor-vencido. Esta ideia do destino soa bizarra e ao mesmo tempo desvirtuada, numa cultura materialista que só acredita no que pode ver e medir; que desdenha a dimensão sagrada, simbólica e invisível da existência. Destino é cumprirmo-nos a nós, ao nosso projeto; há quem lhe chame missão, concretizar a Visão. É cumprir esse potencial que cada um de nós traz para a Vida e nessa demanda, descobrirmos a verdadeira felicidade. A que advém de sermos nós próprios, ao melhor da nossa capacidade e do nosso potencial. E a astrologia não só nos ensina esse projeto, como nos situa no tempo do projeto.

 tempo

Porque o tempo é um fator importante. O tempo que temos para nos cumprir. Em cada ano da nossa existência, em quem é que nós nos vamos transformando, a partir dessa primeira matriz que é o nosso propósito fundamental (definido no mapa astral). Como é que nós estamos evoluindo, como é que estamos a expressar o nosso talento e criatividade. Como é nos estamos a ser capazes de denunciar e trabalhar sobre nós próprios e os nossos conflitos, integrar mais e mais aspetos do nosso ser, da nossa sombra, das nossas dificuldades, das nossas ambivalências. Eu não conheço outro instrumento como a astrologia, que seja um instrumento de diagnóstico tão extraordinário, tão imediato, tão sábio que nos encaminha no sentido da unidade sem julgamentos. Que nos ensina que temos que nos respeitar, absoluta e completamente como somos. Respeitar a individualidade de cada um e as diferenças porque cada ser contribui para a riqueza do mundo e cada um é necessário na ordem das coisas. Na ordem cósmica das coisas, as humanas e todas as outras que fazem parte da natureza. A natureza é muito económica (promove a boa gestão dos recursos envolvidos em cada processo) e ajuda-nos a aprender as lições do caminho de individuação e de integração da consciência. É o processo da identidade, autodescoberta, conhece-te a ti mesmo através dos outros; através das experiencias de relação que nós trazemos à vida uns dos outros. Assim é que vamos aprendendo e crescendo (ou não) mas essa é a proposta.

Alguns astrónomos dizem que a astrologia é uma visão muito redutora da realidade; como comenta esta opinião?

A astrologia na antiguidade era pertença de escolas iniciáticas, ela está na génese da filosofia. Na antiguidade, nas Escolas de Mistérios onde grandes mestres ensinavam disciplinas esotéricas como a alquimia e a astrologia que conectava o homem com o cosmos. E durante muitos séculos o homem reviu-se nessa natureza cósmica, e espelhou-se nos seus ciclos. Reviu os seus próprios ciclos na natureza. Porque o que ocorre fora de nós ocorre dentro de nós. Quando a folha cai os nossos cabelos caiem. No equinócio do Outono os dias começam a decrescer e a noite a aumentar: há algo dentro de nós que convida à noite interna. A interiorizar, ao retiro.

No ocidente – por exemplo em Portugal, a Astrologia foi ensinada nas faculdades até ao século XVII. A astronomia era a parte visível, exotérica, com “X” exterior, a astrologia era a parte simbólica, esotérica, “oculta” porque o símbolo revela uma dimensão invisível aos olhos. Por isso nem toda a gente compreende o símbolo. Se eu tiver aqui o mapa astral com os seus símbolos só quem os souber ler é que descodifica aquela informação riquíssima que lá está. Nós temos que aprender sobre os símbolos, que são a linguagem da Alma. Temos que os integrar e experienciar na nossa vida.

Então a partir do séc. XVII sensivelmente, penso que incluindo o nosso país, a igreja baniu das faculdades o ensino da astrologia. Penso que foi nessa altura que o mundo começou a dessacralizar porque a ciência, com a igreja católica, dividiu o mundo em dois: para nós ficam os fenómenos naturais, para vós o espírito, fora do escrutínio do método científico. Mas o que observamos, do meu ponto de vista, foi uma gradual dessacralização da vida. A vida deixou de ser o maior valor desde então. Cada vez menos é um valor. É evidente que desde do pensamento materialista, dessa altura, materialista no sentido da crença no mundo natural sem outra dimensão, sem sacralidade, logo, à mercê da ganância predatória desta cultura patriarcal sedenta de poder e dos recursos que puder pilhar. Estes séculos conduziram-nos progressivamente ao atual estado de coisas; estamos muito desconectados, muito desalmados (dissociados da alma).

Eu não posso comentar o que os astrónomos dizem. Acho que estão no seu direito. Acho que é importante conhecermos as coisas, para podermos de alguma forma aderir a elas, conhecer-lhes o mistério e compreender a sua mensagem. Tentar convencer outros não é a minha demanda. Para mim a astrologia tem-me permitido ajudar milhares de pessoas nos últimos 12 anos. Eu estou grata por isso e todos os dias continua a ajudar-me a mim própria; a situar-me no mundo e no meu destino. A ajudar a quem se permitir ser apoiado.

Como se pode prever, a partir dos astros, toda uma vida?

É muito extraordinário mas pode! Bom, o que se pode prever, basicamente, não são eventos, são tendências eu diria. Alguns astrólogos provavelmente discordam comigo porque têm uma notável capacidade de prever eventos. Eu faço uma astrologia psicológica e transpessoal, que ajuda a pessoa a ajudar-se a si situando-se no seu devir, ampliando a sua consciência, integrando o seu Ser, enraizando-se em si próprio e a partir daqui, a compreender que tem dentro de si a chave. Todas as chaves. Todos nós temos as temos. E nessa medida temos esse poder, essa capacidade de nos transformarmos cada vez mais, de nos irradiarmos na totalidade de quem nascemos para ser. Eu prefiro falar em prever tendências, aferidas a partir daquilo que nós chamamos em astrologia, as técnicas de prognóstico como os trânsitos, as progressões, os retornos solares. São técnicas que progridem o mapa natal até à data de hoje até aos nossos 30, 40, 50, a qualquer ano que seja da nossa existência e nos fornecem dados que interpretamos como as propostas evolutivas para essa pessoa, não como um evento específico (há sempre vários cenários possíveis). Se por exemplo, eu vou ter um Plutão em quadratura à lua, em termos de eventos concretos, poderia ocorrer a morte de uma mulher próxima mas, muito mais do que tentar ir por aí e prever esse tipo de acontecimentos (que aliás, mesmo que tecnicamente fosse possível com o máximo de exatidão fazê-lo, não seria útil nem positivo para a pessoa) o importante é perceber que se encontra num momento de profunda transformação/renascimento do feminino, das emoções mais inconscientes, de resgate da sua vulnerabilidade (seja mulher ou homem). Estamos a interpretar a dança entre dois planetas, simultaneamente dois arquétipos. Hades/Plutão, na mitologia greco-romana é o senhor do submundo, do inconsciente, do profundo; e lua que simboliza o feminino, as memórias inconscientes, as formas inconscientes de reagir emocionalmente, a carência e o vazio da alma. Portanto fazemos uma previsão sobre o que é que vai ser alvo de transformação. O que é vai ser potencialmente transformado. Agora não sabemos se vai ser por via da morte de uma pessoa, de algum acontecimento traumático, de um despedimento que de repente coloca a pessoa numa viagem regressiva e ela vai ter que se ir resgatar ao ponto/momento do passado onde ficou, às necessidades eventualmente reprimidas da infância para poder levar adiante o processo de maturidade emocional e afetiva. Não sabemos exatamente o que vai acontecer mas sabemos o que é suposto que a pessoa faça. E qual será a melhor resposta para a pessoa poder cumprir e atravessar essa fase da sua vida integrando a aprendizagem inerente.

 

Na sequência daquilo que comentou agora, não há algum “perigo” de que também haja uma certa sugestão? Não pode haver por parte da própria pessoa que está a ouvir uma certa interiorização dessa leitura e de alguma maneira auto sugestionar-se? A pessoa pode deixar-se levar por uma interpretação e ser sugestionada?

 

Em primeiro lugar nós não podemos fugir nunca de nós próprios. Como da nossa sombra, que vem sempre atrás de nós. De alguma maneira, naquilo que criamos revemos sempre uma parte de nós mesmos: a criação reflete o criador. Então, dizia, em primeiro lugar não podemos fugir de nós próprios. Em segundo lugar, a Astrologia existe para nos libertar, não para nos escravizar. A astrologia existe para nos ajudar a  fazer um caminho com cada vez mais liberdade. Liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de escolher o melhor para si, e sobretudo, a compreensão do que o que a verdadeira liberdade significa – os mestres dizem: “conhece a lei e sê livre”. Ela jamais existe (e se alguém faz essa astrologia, obviamente eu discordo) para condicionar ou deter poder sobre a pessoa. Os Astrólogos que procurem prever eventos mas que não forneçam à pessoa os instrumentos, o sentido e o propósito mais profundos do que lhe está a acontecer, ajudando-a a perceber aquilo que ela tem que trabalhar por via desse evento, estão a prestar um péssimo serviço. Aí eu diria que astrologia está a ser feita de uma forma completamente equivoca; mas a responsabilidade não é da Astrologia, é de quem assim a pratica. Há em todas as profissões, pessoas que exercem a sua atividade de uma forma redutora e questionável. Isso é uma coisa; outra coisa é afirmar que a Astrologia pode ser negativa porque sugestiona; todo o conhecimento, a informação e a sabedoria que têm poder de nos religar a nós mesmos, de nos ajudar a compreender melhor os nossos processos internos, é positiva e extremamente necessária. É isso que a Astrologia faz. Ela não existe para sugestionar, isso é quase ridículo; ela existe para proporcionar tomadas de consciência, insights, revelações, para ir sinalizando o caminho. Se uma pessoa me consulta e eu sei que vai ter um trânsito difícil, eu explico-lhe qual é o significado desse trânsito. Digo-lhe que, se resistir a esse processo pode ficar de facto doente, pode sofrer desnecessariamente porque resiste a mudar o que precisa ser transformado por si, nesse momento. Assim, mostro o cenário da resistência e o sentido que está nesse momento a ser-lhe pedido que entenda e integre, para evoluir e seguir adiante. Esta informação existe para libertar e não para sugestionar, para tornar consciente o que tantas vezes as pessoas desconhecem de si mesmas e que por isso, repetem vezes sem conta, causando a si grande dano. Depois, é naturalmente a pessoa, com o seu nível de consciência e com a sua capacidade de responder ao que a Vida lhe está a pedir, que decide (consciente e inconscientemente) o que fazer. Pode resistir à mudança porque não consegue ainda, estar à altura do desafio. E muitas vezes quando nós resistimos a mudar aquilo que já está na hora de romper com, a vida faz essa rutura “por nós”. A astrologia existe, felizmente, para nos informar, para nos apoiar nesse caminho; apoiar não é sugestionar: é acrescentar consciência. Do meu ponto de vista, o astrólogo nunca diz à pessoa o que é que deve fazer. O astrólogo revela cenários aonde há de facto evolução e onde há estagnação, onde está comprometida essa evolução da pessoa. Obviamente é sempre a pessoa que escolhe. O caminho é sempre feito pela própria pessoa.

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