Estamos no dealbar da grande Era do Aquário  e esta Lua Nova de Aquário de 30 de Janeiro convida-nos a viver conscientemente esses ideias de igualdade, liberdade, fraternidade; também nos ensina que se queremos ser realmente livres – a ultima liberdade que deriva de Ser-se, ou de tornar-Se no Si Mesmo (Self) temos primeiro que desenvolver a nossa responsabilidade individual pela própria vida, deixando de projetar cronicamente na mãe, na igreja, na instituição, no sistema, etc., a culpa “por não seguirmos adiante com o nosso destino”. Podemos revoltar-nos queixar-nos à vontade (há sempre um tempo e um espaço para isso) que a Lei continua a ser a Lei universal. Aquário ensina com os seus dois regentes, que, para chegarmos a Úrano (liberdade) temos que construir na terra Saturno (a responsabilidade plena estruturação das nossas vidas, por habitarmos um universo material com as suas leis e exigências).

Agora, na Lua Cheia que Aquário faz com o seu signo oposto e complementar, Leão, somos convidados a fazer a síntese de ambas as energias para nos tornarmos conscientes de algo novo em nós e o podermos “parir” no mundo.  

O que precisamos casar, integrar, sintetizar?

A força de carácter, generosidade de espirito, o coração e a auto expressão criativa do Leão, com a necessidade de independência, o impulso de liberdade, a razão abstrata e os ideais visionários do Aquário.

Se fosse verdadeiramente livre, o que faria? O que é que, dentro de si, merece que lhe devote a sua paixão?

 O Sol representa o espírito masculino com o seu foco, análise, orientação para o produto e auto consciência; a Lua representa o espírito feminino do nascer, crescer, mudar, morrer e renascer; é o poder da presença do processo, do paradoxo e do prazer de dizer Sim à Vida. O Casamento Sagrado, as Bodas Alquímicas entre este Sol e esta Lua, o espirito e a Alma (corporizada), a anima e o animus, o Yin e o Yang, que nos torna seres inteiros, individuados, em crescente expansão da consciência. Só integrando o hemisfério esquerdo (análise, lógica) com o direito (síntese, holístico, intuitivo) podemos chegar a novas soluções para os nossos problemas. Já não serve ser demasiado analítico e “racional” pois perdemos o melhor da vida, nem é suficiente sermos apenas “intuitivos” sem enraizamento nem capacidade de expor no mundo quem somos e o que queremos para a nossa vida.

Nos nossos cursos da FEMINITUDE CONSCIENTE E SAGRADO FEMININO, temos celebrado alguns Rituais lindíssimos que simbolizam precisamente este casamento sagrado dentro de nós mesmos, uma etapa iniciática e que não só deriva de uma consciência maior, como origina novos níveis de integração matéria-espirito, num processo contínuo de fazer a Alma, ou de fazer Amor com a existência.

O Leão convoca-nos ao DUENDE, ao despertar do nosso instinto criativo: aqui um exemplo lindo (numa conjugação muito contemporânea) de duende, palavra originada do sul de Espanha, dos “gitanos” que dançam o flamenco e são feitos por ele como o vento transforma a face das dunas…

Com o americano IRON AND WINE http://www.youtube.com/watch?v=KHw7gdJ14uQ&list=PL5OqBmrzGM3fW8hz1f4_jQMTib_7np5_z

Com o magnífico Miguel Poveda, que esteve recentemente em Portugal:

http://www.youtube.com/watch?v=g782JQSoIgY&list=PL5OqBmrzGM3fW8hz1f4_jQMTib_7np5_z

 A Alma portuguesa tem a raça do seu duende no fado; a alma afro-brasileira na terra do seu samba…cada ser, cada nação, expressam essa afinação de acordo com o instrumento que se constituem, no tocar desta melodia que é sempre uma celebração à vida, expressa em todo o folclore do mundo.

O duende não vem da cabeça, nem da garganta, onde a nossa autenticidade tantas vezes já está comprometida com bloqueios energéticos ao longo de todos os chacras. O duende nasce dos pés –dessa relação profunda com a terra-matéria-mater-mãe, e nunca se repete – como a verdadeira criatividade que o Leão nos ensina. Criar é agir conscientemente, recriando o agora em cada instante; não reagir a partir da inconsciência. É confiar no corpo, persistir em amá-lo tanto até que ele destile na sua sabedoria instintiva, as imagens que nos redimem, as emoções que nos orientam, as inspirações que nos alimentam. O duende é o espírito da Terra, a Alma natural buscando expressão através do movimento e som: como o podes despertar na tua vida? Como podes “ter mais duende”?

 E continuamos com o amor…

Como Leão é o signo do amor romântico e esta Lua cheia acontece precisamente no dia de S. Valentim, patrono dos namorados, convidaram-me para falar deste mapa astral hoje a partir das 21H30 no canal SIC CARAS  (14 da ZON). Quem puder ver, depois diga-me o que achou :)

Mapa Astral Lua Cheia dia 14 Fev 2014

Também é uma boa altura para se fazer uma SINASTRIA – o mapa astral comparado de duas pessoas (um casal, pais e filhos, sócios, amigos, etc.) que dá com muito rigor, o nível de compatibilidade entre ambos, os focos de conflitos, fontes de atrito e pontos fortes da relação. Estou disponível para fazer presencialmente ou online. É uma experiência reveladora e terapêutica.

Existem tantas definições de amor quantos seres humanos, uma vez que cada um de nós é uma expressão única desse diamante multifacetado que só os poetas e os místicos conseguiram descrever mais de perto, posto que é o Mistério ele mesmo. Ah, claro e os enamorados também o definem no bater de coração, no fogo ruborizado das faces e no fluir aquoso dos seus corpos.

Sabemos que amamos na mesma medida em que nos amamos a nós: se nos gostamos pouco, amamos os outros na mesma medida, não importando o nível de autoilusão onde estejamos aprisionados. Sabemos que é urgente curar a ferida milenar proliferando nas sociedades patriarcais, da divisão entre desejo e amor. Sabemos que se não recuperarmos a dignidade da “insantíssima trindade” reprimida nestes milénios, do corpo-feminino-sombra, jamais poderemos amar inteiros de corpo e alma, pois não reconheceremos a sacralidade dos desejos do corpo, nem a sexualidade como sagrada, emulando o eterno êxtase onde dançam Deus e Deusa, Pai e Mãe. Sabemos que a evolução do Amor caminha no sentido da liberdade e quem ama ama mais, é quem quer cada vez mais, o melhor para o outro. Sabemos que o Amor como Lei universal que as relações humanas espelham, de acordo com a sua sofisticação de consciência, é uma expressão do Mistério divino, presente em toda a matrix existencial.

As culturas mais sábias têm mais palavras para o Amor: consta que existem mais de 50 palavras em sânscrito, para definir aspetos deste Mistério. Os gregos tinham pelo menos três: Eros, Philios e Agape. O empobrecimento dos valores da Alma na sociedades patriarcais espelha a “redução” do amor na linguagem, a rejeição do valor sagrado da Vida, e engendram a forma desalmada e dolorosa de viver o amor que contemporaneamente sofremos. Esquecidos da Alma, perdemo-nos do sentido, impedimo-nos do Amor e morremos tão vazios como vivemos.

O Caminho do Amor tem muitas estações e, como a Obra Alquímica, a Opus sagrada, é feito de nigredo (dor, perdido, escuridão, vazio), de albedo (reencontro, sentido, esperança) de citredo (alegria, comunhão, criação) e rubedo (renascimento, irradiação, graça).

Que possamos amar hoje, como o Leão nos ensina: com garra, autenticidade, fidelidade ao nosso Ser (para podermos honrar o Ser do outro); com a magia que brota dum olhar pleno de erotismo e amor. Com a ousadia de quem vive no agora a plena bênção dos afetos, a poesia do encontro, na completude do Ser.

“Um dia eu vou dizer: Eu amo. Eu amo-me. Eu sou amada/o. Hoje é o dia!”

Porque a compreensão do Amor depende do nível de consciência de cada um, arriscar-me-ia a falar numa língua estrangeira se o tentasse definir por prosa. Prefiro a imagem, a música, a dança ou a poesia; as linguagens da Alma que é a bandeira do Amor.

Uma querida aluna e amiga recentemente ofereceu-me este poema no meu aniversário. Não o conhecia, comoveu-me muito – grata querida Maria João – e é com muita humildade e alegria que vo-lo dedico. Ele toca direto no coração!

Com Amor, um doce abraço,

Vera Teresa

 Almas Perfumadas

 “Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.

De sol quando acorda.

De flor quando ri.

Ao lado delas, a gente se sente

no balanço de uma rede que dança gostoso

numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.

Ao lado delas, a gente se sente

comendo pipoca na praça.

Lambuzando o queixo de sorvete.

Melando os dedos com algodão doce

da cor mais doce que tem pra escolher.

O tempo é outro.

E a vida fica com a cara que ela tem de verdade

mas que a gente desaprende de ver.

 

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus.

De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.

Ao lado delas, a gente sabe

que os anjos existem e que alguns são invisíveis.

Ao lado delas, a gente se sente

chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo.

Sonhando a maior tolice do mundo

com o gozo de quem não liga pra isso.

Ao lado delas, pode ser abril,

mas parece manhã de Natal

do tempo em que a gente acordava e encontrava

o presente do Papai Noel.

 

Tem gente que tem cheiro das estrelas

que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos

acender na Terra.

Ao lado delas, a gente não acha

que o amor é possível, a gente tem certeza.

Ao lado delas, a gente se sente visitando

um lugar feito de alegria.

Recebendo um buquê de carinhos.

Abraçando um filhote de urso panda.

Tocando com os olhos os olhos da paz.

Ao lado delas, saboreamos a delícia

do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.

 

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa.

Do brinquedo que a gente não largava.

Do acalanto que o silêncio canta.

De passeio no jardim.

Ao lado delas, a gente percebe

que a sensualidade é um perfume

que vem de dentro e que a atração

que realmente nos move não passa só pelo corpo.

Corre em outras veias.

Pulsa em outro lugar.

Ao lado delas, a gente lembra

que no instante em que rimos Deus está connosco,

juntinho ao nosso lado.

E a gente ri grande que nem menino arteiro.

 

Tem gente como você que nem percebe

como tem a alma Perfumada!

E que esse perfume é dom de Deus.”

 -Carlos Drummond de Andrade-

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